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A Sereia que não estava lá


 

O que é o que é? 
Tem calda, mas não tem pé 
É peixe, mas não é 
Vive no reino do mar
Mas ela morre de curiosidade de sair de lá 
Ops, já disse que é ela.
Ela que é bela 
Canta na pedra 
Para enfeitiçar.
Penteia seus longos cabelos 
Para me conquistar 
Me pisca um olho 
Para me apaixonar 
Um dia prometi lhe dar tudo que sonhava 
Levei ouro 
Levei prata 
Levei espelho 
Levei brincos e colares 
Levei tudo que possa desejar 
Decepção. 
Ficava triste, mas logo voltava a cantar
Sentia que queria me enganar
Um dia, levei uma caixinha de música 
Um casal dançava dentro dela 
Ela olhou, olhou 
Não parava de olhar 
Uma lágrima escorreu 
E saltou para o mar.
Foi quando entendi que ela só queria alguém para amar 
Pois então, eu ia todo dia voltar
Para seu amor reconquistar,
E todo dia eu encontrava 
A sereia que não estava mais lá. 
- Luisa Monte Real 

Meu Pé de Cerejas


    A gente correu para o mato onde tinha uma casinha na árvore que eu queria lhe mostrar.
---Vai, pode abrir os olhos... – esperei alguns segundos suficientes para que a vista se acostumasse - gostou?!
    Ninguém podia enxergar a gente ali. Era o nosso lugar. Nosso esconderijo. Estávamos sentados e sem querer uma manga de minha blusa caiu e meu ombro ficou à mostra. Eu rapidamente vesti para que você não visse. Mas você viu, é claro...
---Ei, espere aí... - você se aproximava e com suas mãos delicadamente tirava a manga - O que é essa marca?
---Não é nada.
   Te olhei nos olhos e você olhava minha marca vermelha com um formato de ameba. Não gostava muito dela, mas era minha. Depois dali você começou a querer desvendar minhas marcas até que despertasse um desejo recíproco e eu pudesse ver as suas também. Você foi duro demais comigo, às vezes era rígido, não queria me contar de jeito nenhum, não se abria de jeito nenhum. Mas eu queria tanto... você.
    Mas ali naquela casinha a gente montava um mundo de marcas só nosso. Eu pegava algumas de suas marcas para mim e vice-versa. A gente se transformava, eu te mudava. Você queria beijar cada marca, queria cuidar de cada cicatriz. Às vezes eu chorava e você limpava. Você sempre foi o garoto que roubava corações e dessa vez você quis me dar o seu para que o meu não ficasse tão sozinho.
   Você queria que a sua casa fosse meu peito para que você pudesse construir um jardim onde meu sorriso fosse a porta de entrada para o seu. Você queria cuidar do telhado da nossa casinha para que de noite não chovesse na gente e eu pudesse dormir bem o bastante para te abraçar e te acolher.
   Você queria fechar as janelas para que meu cheiro ficasse na coberta ainda de manhã quando acordasse e tivesse me perdido pela cama.
   Você queria que eu te mantivesse acordado até a madrugada para ter a certeza de te desejar até o dia seguinte.
    Porque a casinha era tão nossa, e a gente era tão bom, você não podia deixar desmoronar. Não podia. Eu merecia. Você merecia. A gente. E para fazer tudo isso então, você só tinha uma saída.
     A mudança.
     E então, você passou uma semana do lado de fora plantando alguma coisa que eu não fazia ideia do que era. Às vezes eu achava que você estava se arrumando para ir embora, parecia cansado, você não subia mais.
    Você mexia na terra, regava e esperava. Em alguns dias eu via que nascia uma plantinha dali e foi quando eu mais tive medo de você me largar com ela ali. Mas você fez o contrário, você subiu. Foi quando sentiu essa necessidade tão grande de fazer diferente, foi quando mudou que descobriu o que era amor.
   Você mudou seu olhar sobre tudo para que meus olhos encontrassem os seus. Você mudou sua fala, sua voz para que eu pudesse deitar meus ouvidos e só querer te ouvir. Você se tornou carinhoso para que eu pudesse correr para os seus braços. Você comprou lápis e papel para que eu te escrevesse e você me desenhasse. Você trouxe coberta, e primeiros socorros. É que na verdade, boa parte do que estava construído, eu é quem tinha realizado e te dado, meu corpo, minha alma, minhas marcas e a casinha já estavam prontas para te receber, e você sabia que o toque final era seu, era entrar e beijar todos os dias, as seis marcas (pelo que você contou) e uma cicatriz que eu tinha no corpo. Era renovar a certeza de que nossa casinha era cada dia mais nossa. Era me dar um beijo de bom dia para eu saber que já tinha feito o café com o seu gostinho na boca. Era ficar doente e vir correndo assoar o nariz nojento na minha blusa, implorando para ser mimado. Eca. E eu?! Eu descobri o que era amor quando tive a certeza de que podia amar marcas tão diferentes das minhas, e de que podia construir uma casinha gostosa um pouco torta, mas que fizesse você se sentir confiante, leve e cuidado o suficiente para poder vir e ajeitar com toda sua engenharia de amar. Era descer todos os dias para ver o que a plantinha tinha a nos oferecer e a gente a ela. 
----Qual planta é essa?
----É surpresa. Mas calma, é sua.
A plantinha foi crescendo e se tornando árvore, cresciam flores rosas lindas, eu sabia qual era, mas não lembrava, que droga! Era tão linda, e ele tinha feito para mim. Eu não acredito que ele havia plantado uma árvore e de certa forma aquilo crescia dentro de mim dia após dia, me fazia brilhar por dentro. Até um dia em que descemos e eu vi uma coisinha pendurada na árvore redonda, avermelhada para o roxo.
Era uma cerejeira.
---Você é doce sem ser enjoativa, linda, pequena, gostosa, sensual e companheira. Pacote completo. – ele disse, apesar de eu nunca ter sido tão segura quanto a isso.

   E agora, toda vez que ele tem que ir por alguma razão, as cerejas brotam para que eu não fique só, e me lembre de comê-las ao lado de minhas escritas manchando e dando o toque final com a cor que ele me floresceu. - Luísa Monte Real 

Te Rotinamar


    A verdade é que eu te chamaria fácil de "amor" em meio a um sorriso e risada boba, revirando os olhos dizendo que você tá com o hálito de cerveja, e você faz careta dizendo que sou chata e não sabe como eu não gosto dessa coisa tão sagrada. E aí depois a gente parte para outra discussão onde eu tento entender o porquê de você e o mundo acharem que a palavra "top" não é top. E você iria rir achando que eu sou estranha, enquanto eu te abraçava e sentia em meu ouvido sua risada ecoar por dentro do seu corpo e sentiria seu calor ao me abraçar de volta.
   É que eu facilmente me imagino com você em um domingo frio, em um final de tarde de tédio, na sua sala de estar, terminando de ver algum filme que a gente nem gostou e ficamos em silêncio olhando um para a cara do outro esperando a noite chegar e eu ter que ir embora, deixando sua casa vazia numa sensação de como se a tarde tivesse sido tão mais legal assim comigo. A verdade é que eu consigo me imaginar te olhando com os olhos brilhando como se você me despertasse uma luz de alegria boba que vem de dentro para fora. E eu fitaria meus olhos em sua boca e depois olharia por dentro dos teus olhos implorando para que você adentrasse nos meus. Enquanto se aproxima para beijar minha boca que você acha ela tão bonita, desenhadinha, em forma de coração onde na ponta ela tem uma falha que a torna única, que te desperta mais ainda o desejo de ser só sua. É que eu não sei se você é perfeccionista. Se for, essa seria a falha perfeita em meus lábios, e se não for, os lábios seriam perfeitos pela falha. E aí, eu viraria o rosto para você beijar minha bochecha e sentir meu cheiro que te faz me querer mais apertada em teus braços. 
    É que eu consigo imaginar a gente discutindo quais sabores de sorvete são os melhores e você me achando um E.T. por dizer que eu nem sou tão fã de sorvete assim, e eu te achando ridículo por ver tanta graça assim. É que eu consigo imaginar essa mistura de uma fantasia quase sem graça de tão clichê, com uma chatice viciante de tão gostosa. É que eu consigo imaginar a gente caindo na rotina de um amor sem graça e comum, mas que dá sentido e euforia. A verdade é que eu consigo imaginar você fazendo piada de como eu durmo na posição de uma múmia dando a impressão de que morri, mas o quanto na verdade adora acordar antes para ficar me analisando naquela cena engraçada que faz eu parecer tão linda em teus olhos. Depois em uma vontade de me esmagar, você deita a cabeça em meu ombro encostando o nariz no meu pescoço e sentindo meu cabelo em seu rosto, me abraça com pernas e braços dando um sorrisinho que é quase um suspiro da alma. A verdade é que eu consigo imaginar eu fingindo que dormi nos teus braços, só pra você ajeitar meu cabelo para trás da orelha e beijar minha testa. E aí quando ouço sua respiração mais forte sei que dormiu e coloco-me mais perto para ouvi-la melhor enquanto desenho devagarinho seus braços, seus ombros e seu tórax com a ponta dos dedos. Depois brinco com a sua barba bem devagar para não te acordar, e penso que nunca fui muito de gostar de barbas, e que elas pinicam, mas que a sua cai tão bem no seu rosto. Aquela barba meio ruiva, meio castanha, que não sei como virou moda do nada se genética não se pinta. E penso que não interessa com ou sem barba, eu iria achar a coisa mais gracinha para se refletir antes de dormir. Você.    A verdade é que eu ainda não sinto nada dessas coisas e nem sei se sentiria, mas consigo imaginar e mergulhar nisso como se realmente tivesse vivenciado ou quisesse vivenciar com você. Talvez você me ache louca, mas desenhei em minhas memórias toda uma rotina do nosso amor e já não sei o que é meu e o que é do (a)mar que inventei de nadar com você. Sem saber se quero querer, eu imagino querer te rotinamar. - Luísa Monte Real

Quer achar a água comigo?

                        

   Se não for para namorar você, não quero mais ninguém. É, isso mesmo. Não quero mais ninguém porque qual o sentido de namorar um outro alguém só para não ficar sozinha? Qual o sentido de namorar outra pessoa se é para fingir que você não me afeta mais quando afeta? Qual o sentido de ir namorando alguém e quando eu vejo eu só te apaguei com o passa-tempo e me acostumei com o outro confundindo com aprender a amá-lo? Qual o sentido de namorar se meu coração não está livre para mergulhar de cabeça? Qual o sentido de namorar só pro meu ego se massagear por ser desejada? Meu amor, nada disso faz sentido. Pelo menos não para mim. Amores de verdade não são substituídos, e se for, talvez não era amor, era outra coisa. Não quero relacionamentos como quantidade, e sim qualidade. Não quero uma vida marcada por acúmulos de experiências, quero uma vida marcada com intensidade. E o amor não está no ar, nem em uma fila de espera. O amor é uma construção, é uma escolha, que leva tempo, devagarinho, mansinho, gostosinho, sem que seja percebido, pouco a pouco. E é por isso que não quero mais ninguém. Quero manter esse amor comigo e trabalhar nele sozinha até que sua falta não doa mais. Até que sua falta seja tão presente que eu não perceba e não acorde todos os dias e leve facadas na manhã me lembrando de que não está mais ali. Quero tirar toda essa sujeira até que só sobre o amor da gente e eu entregue esse amor por todo o meu corpo e por onde eu passar. Quero aproveitar os amores que já tenho, o próprio, o da família e de amigos. Até eu estar renovada, limpa e pronta para construir um novo amor como esse com um outro alguém.
  Tem gente que fala eu levo relacionamentos a sério demais, que eu coloco sentimento demais nas coisas, que eu deveria aproveitar, curtir, somar e somar... Somar? Sempre fui ruim de matemática... Mas algo me diz que prefiro somar com coisas que realmente me adicionem na essência. Coisas que realmente me façam aprender, e aprender nunca foi algo a curto prazo, prefiro coisas que demoram, mas que me tocam por dentro do que coisas rápidas, que amanhã só foi mais uma. Eu costumo pensar que lidar comigo, com pessoas e sentimentos é sério demais. Levar algo a sério nem sempre é ser chato, sem graça e pesado, na verdade certas coisas como relacionamentos, sentimentos quando levados a sérios traz muito mais leveza e espontaneidade do que quando tratados como brincadeira... Oh como dá problema. Eu não sei você, mas eu não to aqui pra ser brinquedo de ninguém, nem sustentar ego. Estou aqui para ser intuitiva e realista, trocar sorrisos, me divertir, respeitar, cair, levantar, e amar com muita coragem no peito e brilho no olhar. Se eu não estou pronta para fazer tudo isso sem você, não quero com mais ninguém.
  Eu só conheço meu eu com você, se você não mais está aqui, quero aprender a ser eu novamente. Sozinha, mergulhar em mim como mergulhei em você. Porque eu sou assim, não sei cavar um buraco pensando em cavar  pela metade. Se decido, eu quero chegar até a água. Talvez por imprevistos, por chuvas e ventos, eu não consiga chegar até lá e tenha que recomeçar em outro buraco. Mas não faz mal, talvez chegar na água não seja o mais importante. Tenho em mente que se eu fizer me motivando e acreditando a chegar lá, eu vivo com vontade e esforço cada pá que retira a terra. E tudo bem, meu amor, que eu cavei esse buraco mais do que você, porque agora eu to cansada, mas consciente de que não quero mais você para cavar comigo, e se não quero você, não quero mais ninguém em um buraco que é só nosso. Porque esse buraco, meu amor, eu preciso tapar para que ninguém, principalmente eu, caia. E enquanto eu tapo, mais eu me conheço e junto terra por terra. Até o dia em que tudo possa estar tapado, em que ali nasça uma rosa vermelha e eu comece a cavar outro, olhe, e sinta novamente que se não for pra namorar com você, não quero mais ninguém. E eu olhe nos seus olhos e diga: Talvez a gente encontre o oceano inteiro. Então, quer achar a água comigo?

A minha fala, a sua escuta



  E hoje eu queria o teu aconchego de volta. Correr pra tua casa e dormir nos teus braços. Enxugando  minhas lágrimas em tuas mãos, colocando minhas mechas de cabelo pra trás, franzindo a sobrancelha e me olhando com aqueles olhos gigantes e redondos, castanhos escuro quase pretos, fazendo com que eu voltasse a sorrir. Hoje, eu queria te mandar aquela mensagem falando que preciso de você, e você perguntava o que houve e eu te contava toda minha revolta como uma garotinha mimada e chorona. E você ia me apoiar, e me escutar.... Me escutar. Era o que você fazia de melhor nos meus piores, melhores, pequenos e grandes momentos. Eu descamava todo o meu lado podre para você, e você me escutava. Minha voz nunca soou tão importante como soava em teus ouvidos. Você me escutava e queria escutar, fazia questão, seja lá o que eu houvesse a dizer. E amor, como eu precisava ser ouvida, era só o que eu sempre precisei. Você às vezes ficava angustiado e se sentindo mal por não saber o que me dizer, por não conseguir se expressar da maneira que queria, mas só a sua tentativa, sua voz e o seu silêncio já me eram o suficiente. Você às vezes não compreendia ficava revoltado de primeira, mas logo se calava, eu repetia e você ouvia. Discussão a gente tinha várias, parece que não falávamos a mesma lingua, mas hoje eu queria aquela parte que você se sensibilizava e me amava em um abraço de escuta. Você dizia que você era meu ratinho de laboratório e eu dizia que você também era o meu psicólogo em grandes partes, mas mais do que isso, sempre disse que era meu anjo da guarda. E talvez todos os nossos amigos, aqueles de verdade, sejam, mesmo que tenham ido pra longe como eu fui de você. Em uma tentativa falha, te procuro em ouvidos de terceiros que talvez fossem até melhores que os seus, mas que meu conforto e meu apego me cegam e vão de encontro aos teus. É você que eu quero. Você me escutava tanto que quando eu ficava quietinha era o seu maior incômodo, e pedia pra que eu falasse, e eu amava que pedisse  mesmo que o seu pedido desse continuidade ao meu silêncio.  Preocupado se o silêncio revelava alguma dor que eu pudesse sentir ou talvez até mesmo te revelasse a sua. Nunca vi homem sem reclamar que mulheres falam demais, mas você não se cansava de se importar, nem da minha voz e nem das minhas teorias mais malucas, sonhos mais distantes e dores mais sufocantes. E acho que essa foi a maior prova de amor que alguém já fez por mim, me escutar. - Luísa Monte Real

Mulher

  Sim, sou mulher, felizmente. Sou guerreira com muito orgulho nesse mundo onde o homem vive. Engraçado que ele é animal quando lhe convém, na hora de falar de "instinto" e "impulso", mas na hora de mandar é patrão e muito superior, quase rei. Felizmente sou mulher pra saber das dores e dos erros dessa sociedade. Descobri hoje que eu já sofri muito abuso sim. Nunca fui "piranha", nunca tive um corpo cheio de curvas, nunca usei roupas "indescentes", e se usasse, o problema era de quem? Já sofri diversas vezes como qualquer outra, com ou sem roupa. Engraçado né? Hoje quero contar uma dessas minhas histórias. Nessa história duas pessoas são vítimas. Eu e meu parceiro. Meu parceiro era machista, foi educado assim, sua família era assim, seu grande herói era assim, seus filmes prediletos eram assim, seus amigos eram assim, suas amigas eram assim. Sua insegurança era do tamanho do mundo, sua sede de controle para não sofrer e não fazer sofrer era do tamanho do mundo. Mas eu cheguei, toda feminista, cheia do amor próprio e jeito independente de ser, achando que me controlaria, achando que estava no meu próprio comando. E então me apaixonei. Me apaixonei por meus motivos que não vem ao caso agora. Aos poucos fui descobrindo na prática como era ser dominada por você e você sabia fazer isso tão bem, era inconsciente eu sei, era o jeito que te ensinaram. Ter você tornava-se cada vez mais um vício como qualquer amor e paixão, até você fazer doer, eu abrir meus olhos e eu dar um passo para trás. Ao mesmo tempo você se viciava no controle para conseguir me amar sem se machucar, até me ver chorar e perceber o seu erro, dizer que eu merecia coisa melhor, e me fazer derreter com aquela sua voz de cachorro pidão... Aconteceram algumas vezes até você criar confiança em mim. Mas até lá, muitas lágrimas já tinham rolado, minha autoestima já estava desgastada por tanto controle, por tantas mudanças que tive que fazer para me enquadrar nas regras que você desejava, no tanto que eu me entregava e não recebia na mesma moeda. Eu me perdia em você totalmente, você me fazia acreditar que eu era sempre a culpada e quando o contrário, eu tinha que aceitar que era seu jeito de ser e que eu entrei nessa já sabendo disso. Não estou aqui para crucificá-lo, ele não fez por mal, não era pessoal, eram os problemas dele com ele mesmo se refletindo em mim, era sem pensar, era imaturidade, eram mil e uma razões. Estava esperando ele construir toda sua segurança em mim para então conseguir o relacionamento que eu desejava, que eu merecia. As pessoas veem o relacionamento abusivo como se o homem estivesse realmente pensando em "vamos ter esse tipo de relação com ela", e não é assim, é algo muito mais complexo, é enraizado no homem sem nem mesmo que ele perceba. Não estou defendendo, coloquei minha visão feminista para ele muitas vezes, mas reeducar não é simples assim e por isso venho contar essa minha história. Eu sei, eu tava nessa relação porque quis. Eu sei, pode me julgar, falar que sofri porque quis. Eu sei, pode me julgar e falar que não tive amor próprio, que me submeti, que fui trouxa, hipócrita. Eu sei, eu deixei isso acontecer. Mas a errada não continua sendo eu, de errado e imoral não fiz nada, não sou errada por acreditar, confiar e ir atrás do que eu quero. Nenhuma pessoa merece tal tratamento, nem mesmo aquela que erra com a lealdade, com compromisso. Porque ninguém é merecedor de abuso seja ele psicológico ou físico, ninguém merece ser tirado de sua essência e se sentir desmerecedor de qualquer coisa que há no mundo. Mas deixa ao menos me justificar se você acha que procurei por isso. Sou uma jovem sonhadora que sempre lutou por aquilo que quis, que sempre acreditou que todos merecem uma, duas, três chances, que as pessoas mudam (e isso é verdade porque em um grande tempo ele teve sua confiança em mim e os abusos emocionais pararam nessa época). Eu estava apaixonada e sou uma menina muito inexperiente, queria sentir o sabor de ser correspondida, queria ver as cores do amor. Eu havia me doado completamente, não conseguia ser quem eu era, eu era completamente dependente, e nada mais importava do que conseguir ficar com ele, nem mesmo eu. Não sei explicar como isso aconteceu, sempre me respeitei, aprendi a me amar e joguei tudo fora por ele, nunca havia me abandonado de tal forma. O pior, é que eu sabia. Eu era bem informada. Eu sabia que estava nesse tipo de relacionamento, mas não conseguia sair. Depois de um tempo sem inseguranças quando tudo estava bem, sem brigas nem nada, ele resolveu mexer com o passado e cutucar a fera que estava dormindo. Ele pirou, era um ciúme doentio, ele acreditava com tanta certeza no que tinha em mente que me fez acreditar também e foi a gota d'agua para eu perder minha autoestima, fiquei me sentindo um lixo, uma pessoa negativa que estava fadada a acontecer tudo de errado, que eu só fazia os outros sofrerem. Não, ele não me disse essas coisas, mas me fez senti-las. E eu nunca me humilhei tanto tentando provar quem eu era, me humilhei tanto que nem eu mesma sabia quem eu era, acreditava na versão dele, qualquer coisa que acontecia ou me falavam eu levava como ofensa, chorava por coisas idiotas, levava tudo para o pessoal, desconfiava de tudo de ruim que as pessoas pudessem ver em mim, me sentia nervosa e culpada com coisas como  derramaram o refrigerante no chão e eu falava: "não fui eu." Tudo isso porque já nem sei mais quantas vezes em 4 meses passei o dia na cama chorando por brigas, sem comer, sem vontade alguma de fazer alguma coisa. Não sei como, mas você me sugava por inteiro. Dessa ultima vez meu nervoso foi tanto que cheguei a vomitar, me sentir enjoada e ter dor de cabeça já eram fatos quando brigávamos. Pode até ser que te magoei algumas vezes, mas não foram metade do que fez comigo, me desvalorizava e me desqualificava de uma forma que nunca pensei que alguém pudesse fazer comigo. Ele chegou a ameaçar que se ele voltasse comigo eu ia sofrer, que iria ser do jeitinho dele como se todo esse tempo alguma vez tivesse sido da minha maneira... Ele falava coisas que me faziam acreditar que namorar qualquer outra pessoa era melhor do que eu.  Dizia que seu ciúmes era porque ele sabia exatamente como um homem é por ser um, engraçado que ele nunca tentou ser diferente, né?! Dizia sempre que se quisesse ser corno namorava uma piranha, uma puta. Dizia que eu o fiz de otário. Fazia-me sentir desmerecedora de seu amor, e eu desejava tanto que ele me amasse e enxergasse que eu era diferente de todas suas anteriores. Queria ser especial, queria ser única para ele, e parte de mim ainda espera que eu tenha sido... Ele conseguiu atingir até mesmo o que tenho mais de especial, puro e sincero, a escrita. Cheguei mesmo a me achar a bosta em pessoa, desculpe o palavreado, mas para falar dessa sujeira só o palavrão se encaixa. Ele me fez ter medo dos homens, me fez ter nojo, não queria ser encostada, nem olhada que iria doer, estava em cacos, e você sabe, vidro corta. Toda a insegurança dele que eu quis resolver havia se estabelecido em mim, qualquer passo que ele atrevia fazer virava uma neurose pra mim, um leque de opções do que ele estaria planejando para se vingar, pra me machucar. Completamente irracional, afinal ele nunca havia feito nenhum plano pra me machucar propositalmente. Eu tinha um medo enorme de ser julgada por qualquer pessoa. Foi amor demais por ele e de menos por mim. Sempre prezei muito o amor próprio, mas me encantei em mergulhar de cabeça porque sempre fui tão reservada com medo de amar. A única coisa que me orgulhei de mim foi que a minha força sempre esteve presente, fruto do meu amor próprio, me sentia acolhida por mim mesma nas vezes que terminávamos, e mesmo acabando comigo mesma, em dois dias eu já estava sorridente e com paz novamente. O que eu não sabia era do desgaste que estava vivendo. É que eu mal reformava minha autoestima e já tava dando a ele minha cara a tapa novamente. A minha sorte foi estar ao lado de pessoas guerreiras como eu que sem me julgar me acolheram muito bem, fazendo-me lembrar de quem eu sou e que me amo. Não, não voltarei a ser reservada, nem a desacreditar do amor, o que houve não teve nada a ver com falta de sentimento recíproco, mas também espero que eu nunca mais volte a me abandonar por alguém, não importa o quanto doa ficar sem a pessoa. Gostaria muito que um dia ele lesse essa minha história, mas não sei se ele seria maduro o suficiente para não levar como ofensa e não dizer que eu sou a miss vítima certinha como muitos homens e até mulheres irão dizer. Não quero ofender ninguém nem me colocar como vítima, só mostrar como a educação e a moral dessa sociedade levam uma mulher a se odiar e ter nojo de estar na própria pele, ao mesmo tempo que ensina o homem a domar "SUA mulher". Sou mulher, e fui ensinada a competir com outras mulheres enquanto os homens riem e seus egos são alimentados por tudo isso. Fui ensinada a ter inveja, a querer ser mais que as outras, a achar que todas querem "roubar meu homem" - vamos combinar que ninguém é de ninguém e se ele me trocar a culpa não é da outra mulher, nem minha, é dos próprios gostos e vontades dele -, a achar que existe uma inimizade entre nós, a achar que sou menos se um homem não me quer e se não me enquadro na "santinha, pra casar". Sou mulher, sou guerreira como aprendi a ser, como todas ao meu redor merecem ser. Todas estamos dentro de uma luta contra toda essa coisificação da mulher, um grande número de mulheres ainda não enxergou essa luta e se esconde na máscara de ter que se submeter para satisfazer e agradar o homem. Agora só espero me recuperar com muita força, poder perdoa-lo e a mim mesma, espero guardar somente as lembranças boas dele e levar comigo tudo o que ele me somou, se é que somou algo além do meu próprio aprendizado. Não importa o que aconteceu comigo, não importa a destruição que fizeram aqui dentro, nada disso define quem eu sou, eu sou o que me torno depois disso, eu sou o que escolho ser e até mesmo o que deixei de ser, eu sou reencontro com o eu que perdi. Eu sou amor próprio e amor por aí. - Luísa Monte Real
  

Dormir e acordar no nada

   

    É que eles já não sabiam mais olhar o Pôr do Sol sem se avisar para olhar o céu, ou para ver como o céu estava com estrelas e a Lua linda. Ela já não sabia mais como era ter que deitar sem cair no sono escutando sua respiração ficando mais forte e devagar conforme ele ia se entregando para o travesseiro. Era uma coisa curiosa como a respiração dele não a causava incômodos, era tão particular e gostosa. Causava os mesmos efeitos que uma canção de ninar para ela, dava a certeza de que ele estava ali e tão perto... Ela já não sabia mais dormir sem achar graça das frescuras dele de conseguir dormir. Ela já não sabia mais o que era acordar e não ter que esperar algumas horas e ouvir ele se mexer todo sabendo que ele estava despertando. E ali, ela já abria um sorriso esperando ele gemer se espreguiçando e logo depois a chamando, sussurrando perguntando se estava acordada. E o tom de sua voz era de um sorriso estampado por acordar ao lado dela. Depois, perguntava se estava há muito tempo aguardando, e com um sorriso de brilhar os olhos, ela respondia sem jeito "mais ou menos". E ele perguntava se ela já tinha comido e por que não tinha ido comer ainda. E ela respondia: "estava esperando você". Ela não sabia mais o que era acordar, e um não se perguntar ao outro: "quem foi que dormiu primeiro?".
   Ele já não sabia mais como não fazer aquele ritual de ver séries com ela sempre querendo fazer a vontade dela pedindo para ela escolher qual seria a do dia, e depois ficar conversando com ela até a hora que sente que vai dormir e diz a ela que a ama com uma voz dengosa. Fica chamando ela mil vezes e com uma voz baixa, mimada e birrenta: "Eiii, eu gosto de você." Ela ri e fala que também gosta imitando a voz dele. E ele diz: "mas eu gosto de verdade". Ele já não sabia mais como não dormir sorrindo depois de ouvir a voz dela ecoando em sua mente que o amava e no silêncio calmo em que ela dormia como uma múmia, ele mergulhava achando sua paz. E ele, ao acordar, já não sabia mais como era acordar sem aquele motivo para sorrir. Ele sentia falta de como não só o mau humor não se fazia presente ao despertar com ela, mas em como acordava sorrindo apaixonado com paz e conforto no coração.
   E essa foi a parte mais difícil quando deixaram de ser um do outro. A hora de dormir e acordar. Era a hora em que sem  palavra alguma, olhar ou sentido consciente, eles se encontravam mais juntos em demonstrações de amor calado. Era a hora em que os corpos se desligavam totalmente e as almas se conectavam. Era a hora em que o amor recíproco dançava pelo ar e ninguém nem mesmo precisava se olhar para saber que o outro sorria e sentia aquilo. Um amor que trazia uma calmaria e uma alegria que só eles eram capazes de entender. Ela teve dificuldades em dormir e pesadelos por meses sem ele ali. Ele acordava chutando o armário diariamente sem ela ali. Com o tempo, foi passando. Mas toda noite e toda manhã era a mesma coisa. A falta. O vazio. O buraco. Ela costumava se distrair até que o sono a detonasse na cama e ela dormisse sem perceber. Porque se ela fechasse os olhos antes do sono a pegar... memórias, saudades, fantasias de estar com ele, choro... Sem ele. Ele ficava até de madrugada bebendo, transando, encontrava os parceiros para que chegasse morto em casa, capotasse na cama e acordasse atrasado para não ter tempo de ouvir o nada. Sem ela. O que era luz se tornava escuridão. O que era mágico e fantástico se tornava dor e náuseas. Não era saudade, era falta. Ela queria fazer um contrato de só poder dormir com ele, era só o que ela queria, mais nada, ela promete, era só para não ter pesadelos. Ele queria fazer um contrato de só poder acordar com ela, era só o que ele queria, mais nada, ele promete, era só para acordar sem mau humor. Eles só queriam seu canal de maior conexão de volta, não precisava do resto, sério mesmo. Mas no final, o que eles queriam mesmo é que o canal nunca tivesse se partido, e que o resto não fosse, na verdade, uma grande parte do nada que antes era preenchido. - Luísa Monte Real 

Confuso? Talvez, com certeza.

    

    Se eu tivesse que dar uma entrevista sobre você e me perguntassem qual a melhor parte de se apaixonar pelo seu melhor amigo, eu diria que é a transparência. Po, melhor amigo é aquela pessoa sabe? Ah cara, você sabe, não dá pra explicar, aquela parceria que faz brilhar os olhos de ter conquistado. Melhor amigo é aquele que te entende mesmo sem entender nada, te acha a pessoa mais maluca e ao mesmo tempo a mais incrível. Ele te deseja o melhor do melhor que o mundo possa te oferecer e só quer o seu sorriso. O orgulho não passa por cima da preocupação de te ver mal. Amizade para mim é tudo, e a sua nunca foi diferente nem será. Pessoas que se amam, que se cuidam somando mais um tipo de amor. Não é fácil se apaixonar quando se tem um nível de intimidade o qual um não tem nojo de nada do outro, não tem vergonha, não tem mistério. Uma vez que acredito que a paixão vem do encanto, se apaixonar pelo real, pelo que se tem dentro e não só pelas aparências é muito mais sincero, e menos chances de ser decepcionante do que se apaixonar por um desconhecido. Ao mesmo tempo que não há surpresas é surpreendente. A certeza de que o respeito e o cuidado vão estar sempre presentes. Poder falar besteiras e coisas sem sentidos, não ter que fazer esforço pra impressionar, não ter inconveniências, ser você e só você, porque ele se apaixonou por você mesmo conhecendo todas as suas manias, chatices, bobeiras, piadas sem graças, te aguentando desde sempre naqueles dias ou você quando ele arrota muito alto e você continua achando nojento, mas não consegue não rir e acha-lo engraçado, e ainda por cima nem de longe tira todo aquele charminho que de uma hora pra outra você encontrou nele. Ver o seu melhor amigo não exatamente com outros olhos, mas com um olhar mais profundo, um olhar não só de cuidado e admiração como antes, mas de desejo. Querer fazer todo dia ele se surpreender por ter se apaixonado pela pessoa que ele menos esperava e ver que ele causa as mesmas surpresas em você... Gostar de alguém que já combinava tão bem com você mesmo tendo todos os gostos trocados, pensamentos opostos. Gostar de alguém que sempre esteve ali por você em todas as horas e era para quem você sempre corria para se aconchegar quando as coisas não estavam boas. Gostar da pessoa que só quer te ver bem e a sua felicidade é motivo de sorrisos e calmaria no peito dela. Se apaixonar por alguém que já se ama há tempos não tem preço, porque no amor já não tem timidez,  não tem medo de não agradar. Gostar da pessoa que te mostrou toda a alma dela e você a sua, todo o ser compartilhado um com o outro. Gostar de alguém e poder falar dela com ela mesma, afinal ela foi sempre a pessoa que soube de todos os seus rolos, sem medo de "estar falando demais", "rápido demais", "tá falando isso só pra me conquistar?".  Gostar de alguém que te faz questionar se você mesmo não a conhece melhor do que você se conhece e do que ela se conhece (Confuso? Talvez, com certeza). Desejar de uma hora pra outra que os abraços dela se transformem em beijos. De repente chamar e falar de "amor" não é tão casual assim e até dá aquele conforto e alegria no peito. De repente dizer "te amo" toda hora não explica metade das borboletas que dançam pelo corpo. De repente a gente fica todo idiota e descobre lados carinhosos um no outro e em si mesmo que nem sabíamos que existiam e que não temos vergonha alguma de demonstrar. De repente eu paro e penso "mas é meu melhor amigo". E afinal, tem coisa melhor do que aquelas que a gente ri e pensa que nunca aconteceriam? Tem coisa melhor do que se apaixonar pela pessoa que já estava na lista de preferências? Tem coisa melhor do que gostar e a pessoa ser sua melhor amiga, a melhor versão de você mesmo? 

É porque sou carente de você

   


  Nunca gostei de garoto muito grude, que quer minha atenção demais, romântico demais, carente demais, apaixonado demais,bonitinho demais... Não conseguia ficar mais de um mês com a mesma pessoa, nossa enjoava demais... Sempre reclamavam como eu era "grossa", "fria", "não dá carinho", "não é melosa", "só dá patada", era amiga, legal, divertida, bonita, mas amorosa e carinhosa? Nunca, era impressionante. E olha que eu tentava e chegava a pensar que estava fazendo esforço demais. É que é aquela minha coisa né? Sou sincera e transparente demais, não sei fingir o que não sinto. E ai veio você e de repente você era "grude demais", "romântico demais", "carente demais", "apaixonado demais", "bonitinho demais". E ai veio você e de repente eu era "bonitinha", eu era "engraçadinha", "carinhosa", "grude", eu era "linda". Pera, o que? Você está realmente me achando tudo isso? Não, pera, o que? Eu to realmente gostando dos seus "demais"? E então, foi quando eu descobri uma melhor versão de mim que você despertava. Você me fazia querer ser o que eu não conseguia ser com garoto nenhum. Você me fazia gostar do que eu não gostava em garoto nenhum. Não tem como explicar muito bem como isso aconteceu. Só sei que foi assim. Quis te colocar num potinho, te esmagar e morder, do tamanho sentimento que me transbordava. Queria te enfeitar um sorriso com as minhas maneiras mais doces e poéticas. Ficar abraçado e não soltar. Olhar tua foto e derreter de alegria e amor só por aquele rostinho existir em minha vida. Fazer de você meus melhores textos. Te fazer feliz como me fazia com todo teu amor.  A perfeição estava longe do nosso alcance, mas alguns momentos eram perfeitos. Queria te emprestar um pedaço meu e ter um pedaço teu. Deixa eu te contar que quando é raro encontrar isso é muito mais gostoso e único? Então, desculpe a todos os outros garotos, meu amor é muito sincero para ser desperdiçado e confundido por carências passageiras que qualquer um tapa e eu não tenho paciência. E quanto a você... Ah, é que eu sempre quero um pouco mais de você... é que eu, eu sou carente de você. - Luísa Monte Real

Seu reflexo sobre mim


   E todo mundo ama meus textos sobre você... Não sei a diferença. Para mim, escrevo todos os textos com o mesmo intuito: me expressar, tornar meus sentimentos e pensamentos vivos e dá-los a possibilidade de viajar e ser de outros. Talvez seja porque ainda exista essa ideia romantizada do amor de casal que o povo adora. Não sei, mas é uma dúvida que me vem toda vez que posto algo sobre você. Talvez você seja a maior inspiração da minha vida até agora. Não sei, mas os textos sobre você sempre tem mais visualizações. Talvez o meu sentimento por você seja tão forte, transparente e verdadeiro que eu passo toda essa sensação em minhas palavras e quem lê consegue senti-las. Não sei, mas também são meus textos favoritos. Talvez as pessoas consigam sofrer uma melhor catarse com os textos sobre você, porque o amor é universal e gostamos de nos colocar dentro dos romances, e os outros textos são mais particulares.  Não sei, mas a forma como me alivia te escrever é indescritível. Talvez seja porque foi você o meio que eu aprendi a escrever como escrevo. Não sei, só sei que toda vez me surpreendo com a reação das pessoas a seu respeito, confesso que isso me incomoda um pouco porque eu tenho um certo medo da supervalorização do amor entre casais, mas eu sei que a maior parte de mim fica muito feliz e me influencia a pensar que você é essa coisa única que me aflora sentimentos diversos. Mas, eu paro e penso. Nada disso é sobre você, é sobre mim. Sim, o que eu sinto por você, o que eu vejo em você dizem a respeito a mim, são as minhas interpretações sobre você, e são apenas minhas, eu criei e passei pro papel, até mesmo quem lê, lê suas próprias interpretações e fazem um "você" particular, um "você" que elas mesmas imaginam, e não o "você" que eu pensei quando escrevi. Então, desculpa, mas você não é essa pessoa única que me causa sentimentos, eu sou minha própria pessoa que eu mesma me causo sentimentos únicos por você, obviamente sem que eu escolha e até mesmo tenha grande controle. E desculpa, ainda podem existir outros "vocês" os quais eu desperte sentimentos únicos que também me inspirem de maneira tão colorida ao ponto de ser não só meus textos favoritos, como daqueles que me leem. E é aqui que eu me liberto de você, é aqui que eu entendo que o dom da poesia é meu com ou sem você, e que você é só mais um personagem o qual eu deixei que em meu jardim de rosas e tulipas - diga-se de passagem, minhas flores favoritas -, você florescesse da maneira que mais se encaixava nas minhas vontades. Eu reguei, eu cuidei e deixei ao Sol de maneira que você nascesse em mim da forma mais bonita, essa forma mais bonita inspira os meus textos, mas essa forma não é você por inteiro, essa forma é o reflexo de você em mim, e assim como o espelho não deixa de ser o espelho quando olhamos para ele e nós apenas uma imagem, eu não deixo de ser eu e o seu reflexo em mim apenas uma imagem sua a qual eu faço, e ela não é o seu verdadeiro eu. Um espelho que deforma, não significa que o que é refletido é um ser deformado, mas sim que o espelho é deformado. Portanto, meus textos sobre você nada mais são o reflexo de uma beleza que eu tenho e formei em mim, e espero que eu possa sempre refletir o melhor e o mais belo de todas as pessoas que eu queira escrever. - Luísa Monte Real

Duas crianças brincando de amar


      Tudo começou meio assim, meio que só de brincadeira, só para se experimentar, só para ser impulsiva uma vez, só para ser criança de novo e fazer as coisas sem pensar, só para tentar algo diferente depois de anos de amizade, só para matar a vontade que veio do nada ou que talvez sempre esteve ali e ninguém viu ou eu não vi, aposto mais nessa última opção, mas tanto faz agora... Tudo começou meio assim só para ver no que ia dar, meio que só para fazer minha vontade uma vez na vida sem pensar nas consequências, sem medos, meio assim sem ligar que era errado, na verdade a gente nem achou errado no começo, meio que só para sair da mesmice, meio que só pra ver se eu fugia um pouco de mim e das minhas regras, meio que só para me libertar. E então a brincadeira começava com um pouco de pé atrás, um pouco engraçada, meio esquisita, meio "a gente vai brincar mesmo ou...?". Sem perceber a gente nem reparava que era ainda uma brincadeira, sem perceber a gente se mostrava um mundo de sensações nunca sentidas antes... Nossa, eu nunca havia me sentido daquele jeito e apesar de você ter demorado mais para admitir, você também nunca havia sentido! E era tão... Sei lá, bom de uma maneira tão mágica. Era como se tudo brilhasse, era como ver estrelas por todo canto, era um fogo tão grande... E para os dois era só vontade, era só algum tipo de tesão e talvez ali no começo ainda fosse mesmo só uma vontade misturada com o amor da amizade. O que nos surpreendia e nos deixava meio perturbados era que nunca pensamos que fosse possível um dar tanta vontade no outro. Tudo acontecia rápido demais, e a gente só tinha mais e mais vontade de se descobrir, uma ansiedade enorme, e a gente se entregava e se envolvia e se enlaçava. Eu sentia uma confiança e uma segurança que nunca tive com ninguém, então sai da minha própria base para ficar no teu abraço. Tudo o que ele me pedia e queria, eu queria. Abria a mão das coisas mesmo achando que estas não condiziam com as regras, só queria você e você só queria que eu te quisesse, se o meu desejo condizia com o seu, que mal tinha?! Te perder não era opção. E de repente era vontade de estar junto, dormir junto, ah! Era tão ruim não dormir assim agarradinho e a gente achava isso estranho porque nenhum dos dois estavam acostumados a ter essa vontade com ninguém ou pelo menos quase  com ninguém, nenhum dos dois gostava dessa coisa meio casal grude. Era vontade de acordar junto, ah! Acordar e não nos vermos ao abrir os olhos era uma tortura! Você dizia que queria me acordar com beijos... Era vontade de tomar banho junto. Era uma angustia enorme, uma tortura não estar junto, não estar se tocando, se olhando, se sentindo. E tínhamos e nos deixávamos ter todas essas vontades sem ligar para as regras estabelecidas no começo da brincadeira, era tudo tão recíproco que não dava para acreditar, não dava para largar, só dava para querer mais e mais e mais e mais e vem cá logo! Era tão boa a ideia do casal proíbido que de alguma forma tava dando certo. Porque vamos combinar, a gente foi proíbido um para o outro de todas as maneiras, para começar éramos o retrato perfeito da dama e o vagabundo, nossos gostos totalmente opostos, uma paulista e um carioca, eu Barra você Zona Sul, e depois ainda veio a história Romeu e Julieta, e bom por final, aqueles famosos amigos "eu nunca te pegaria, pera ai!", "você é tipo um irmão/irmã". A gente tava quebrando todas as regras possíveis. E para que regras? A gente não lembrava que estava brincando tinha um bom tempo. E ai que ficou sério. Ficou sério mas ninguém queria aquilo, ninguém tava preparado para aquilo. Ficou sério e ninguém percebeu. Ficou sério e ninguém cresceu. Ficou sério e todo mundo ainda achava que era brincadeira. Até começar a doer, até doer muito, até eu não entender porque tava doendo se era só uma brincadeira e que o combinado era que ninguém nem ganhava nem perdia, seria empate sempre... Mas então eu me sentia perdendo naquela brincadeira, e percebi que da brincadeira a única coisa que tinha restado eram os participantes. E ai, o caos. E ai, que eu me procurava e não me achava, só achava uma garota que tinha o nome dele bem na testa, mas que tapava com a mão para ninguém ver, nem mesmo ela no espelho. Mas aquela garota era eu, e eu tirei a mão da testa. Fiquei olhando seu nome e doía tanto, como eu ia admitir que tinha deixado aquilo acontecer? Era só amizade... Era só uma brincadeira...  Mas ai, olhei para ele e achei um garoto com a mão na testa, eu via a primeira letra de meu nome, mas ele ainda não tinha coragem de tirar e ver o resto do nome, ele já sabia, eu também, mas ter a certeza doeria mais... E agora? Agora sou eu, você e a procura pela aceitação. Você estava assustado, eu estava surpresa e pronta para partir nessa aventura mesmo com medo. Mas já você... Você tinha aquela tal da insegurança que fazia o seu medo ficar muito maior do que sua vontade de agir, em alguns momentos sei que não, sei que em alguns momentos você tentou fazer a coragem e o amor falarem mais alto, mas não foi o suficiente né?! Tudo bem... Mas meu amor, depois dessa sua fraqueza, algo me diz que não estamos preparados ainda um para o outro em termos de casal. Talvez a gente nunca esteja, parte de mim quer acreditar que é questão de tempo e de amadurecimento... O que você acha de continuar nossa caminhada e deixar que a trilha nos leve para o destino certo? Talvez a gente se distancie. Talvez a gente permaneça amigos. Não é que eu acredite nisso de "se for pra ser será" ou até mesmo em destino e estar escrito nas estrelas, mas é que talvez em um futuro a gente e o nosso amor se encaixem melhor. Mas por favor, não insiste mais, não pense mais nisso, é só aceitar os fatos e não lutar contra maré, deixa que tudo aparece na nossa frente conforme nossas pegadas.  Então não diz que é nunca mais, é só por enquanto. Não coloque um ponto final, deixe em reticências que é para que o nosso amor fique pelo ar e não deixe de existir. - Luísa Monte Real


Amor encantado




    Sempre vivi em um conto de fadas, confesso. Sou aquela menina clichê que ama rosa, fã de Disney e até meio patricinha que odiava os garotos na infância. Dama e o vagabundo. Cinderela. Bela adormecida. Bela e a Fera.  Romeu e Julieta. E todo tipo de filme americano de amores impossíveis que no fundo a gente sabe que nunca vai acontecer, por favor. Será?! Sempre me perguntei até que ponto a vida inspirava o filme ou o contrário. Por outro lado, sempre fui aquela garota diferente, com uma educação mais reforçada, não tinha pais separados e minha mãe não trabalhava, eu realmente gostava de estudar quando criança e era bem disciplinada, eu era aquela garota chata que apontava o amiguinho que tava me irritando pra professora, era aquela que perguntava na aula sem medo de parecer nerd, minhas notas sempre importaram assim como minha futura carreira. Eu era uma mistura de futilidade com caráter. Sempre muito sonhadora e ao mesmo tempo racional. Sinceramente, eu sempre quis um romance desses de filme, bem clichê mesmo, bem conto de fadas, mas não queria me iludir, esse tipo de coisa não existe, pelo menos qual a chance de existir comigo? Quando de repente, um certo alguém apareceu. Ele mesmo. Aquele garoto carismático, engraçado, bonito, que encanta todo mundo com seu jeitinho, que não quer nada com nada, só quer saber de mulher. Aquele garoto que conhece metade da cidade e mais um pouco. "O vivido", "o experiente". Aquele todo do avesso, aquele "cool". Minha primeira reação foi ATENÇÃO! CUIDADO, VOCÊ NÃO VIVE EM UM FILME! E eu só pensava em não me apaixonar, afinal o clichê não aconteceria comigo. Mas eu tinha certeza que de alguma maneira eu podia alcançar o príncipe dentro daquela máscara de sapo sedutor que mostrava para todos e todas. O mais engraçado é que eu não queria fazer isso para ter meu conto de fadas, assim como Cinderela foi para o baile sem ter a intenção de casar com o príncipe, eu estava fazendo isso porque queria provar para mim e para ele que ele não era só aquilo, que eu podia enxergar seu verdadeiro eu e fazê-lo se enxergar. Era algo instintivo, fiz por empatia e compaixão, fiz para me conhecer melhor, conhecer meus dons, não sei como mas ele fazia eu me enxergar e analisar quem eu queria ser, ele despertava o meu melhor. A gente crescia junto, e eu com a minha mente cada vez mais aberta queria trazê-lo para o meu mundo. Talvez eu tenha sido um pouco egoísta, talvez eu não devesse querer nada, não sou a dona da verdade. Mas é que era tão bom amá-lo e me sentir amada da forma que ele me amava, eu sentia sua essência, eu sabia que ele era muito melhor do que se mostrava ser, eu não sei, eu sou intuitiva e acredito que todos temos dentro de nós aquele verdadeiro eu e eu só queria que ele o libertasse, porque eu tinha certeza que assim, ele poderia se amar mais, e eu queria mostrar o caminho para isso. Estava disposta a gastar toda minha energia para ficar ao seu lado, para ele ter um apoio, para ele ter um aconchego, para se sentir confortável para voar, porque ele conseguia me fazer voar alto cada vez que eu conseguia me aproximar do seu verdadeiro eu, ele era lindo. Então, como quem não quer nada, depois de muito tempo, nos apaixonamos muito sem querer querendo. É, o encantamento se fez presente. Mas diferente do conto de fadas, estar apaixonado não era a solução de tudo, não era só ficar junto e pronto. Você sabe né, pessoas complicam, pessoas tem personalidade. Mas eu não deixei de lutar, não porque estava iludida com meus filmes da Disney, mas porque a vida é uma luta que nunca para, a única coisa é escolher pelo que lutar, e eu estava lutando por ele e ele por mim havia muito tempo, não seria agora que eu iria desistir. Sei, sou só uma adolescente. Sei, parece ser só uma paixonite qualquer para você. Mas é muito mais do que se parece aos olhos de quem vê, pena que os olhos que importam são os meus e os dele... E então Branca de Neve e Aurora acordaram com um beijo encantado, Mulan se tornou uma grande guerreira, Ariel e Eric venceram entre dois mundos, a Fera e o sapo se faziam príncipes, Cinderela e os ratinhos eram encantados pela magia da fada madrinha, Aladin e Jasmine venceram o amor proibido,  e todos os contos de fadas se faziam presentes no momento em que ele dizia tudo o que nunca acreditara pra valer que alguém diria pra mim, fazendo meus sonhos de princesa serem concretizados e me dando a sensação maravilhosa de poder realizá-los. O quão ingênua eu sou? O quão infantil isso parece ser? Não sei, mas sorte a minha ser, porque acaba tornando os momentos simples em momentos incríveis. Ali enxergava o homem que eu sempre soube que existia e que lutara tanto para ter. Ali eu ganhava o meu conto de fadas, ele era o meu amor encantado. E assim, foram felizes no pra sempre de cada momento nem tão perfeito assim, mas juntos. - Luísa Monte Real 

Milésimo Primeiro




 
   Queria te escrever em mil livros só para deixar registrado todos os teus detalhes que despertam o meu melhor, o meu sorriso, o meu riso, o meu prazer. Queria te escrever em mil livros pra tentar te explicar o que vi e senti por você. Mil livros pra explicar que é você e só você. Explicar essa vontade particular que tenho, é o seu toque, seu beijo, seu cheiro, sua voz, seu olhar, seu abraço. É uma tempestade de sentimentos e sensações. É a tranquilidade de uma brisa com a turbulência de um furacão. É a calma na alma e o fogo que me sobe até o pescoço. É a loucura e a bobeira. Então vem aqui, chega mais perto amor, para eu te falar bem no pé do teu ouvido o quanto você me faz feliz enquanto você brinca com meus cachos. Vem aqui, dá aquela risada gostosa e aquele sorriso que eu gosto enquanto eu contorno seu rosto com meus dedos. Vem aqui, faz aquele risoto que você gosta pra dispensar meu desastre na cozinha. Vem cá, deita comigo e não esquece de apagar a luz da sala. Vem aqui, fixa os teus olhos nos meus, enquanto a gente despe nossas almas um para o outro sem deixar nenhum mistério. Desvendando pouco a pouco que cada sensação e sentimento é recíproco aumentando cada vez mais a chama que existe no outro. Vem aqui, faz aquelas palhaçadas que fazem doer a barriga de tanto rir e que me dão uma vontade enorme de te beijar a boca. Vem cá, diz mais uma vez o quanto eu sou engraçada e o quanto eu te faço bem. Vem cá vem, deixa eu te falar uma, ou duas, ou três coisas carinhosas e grudentas. Vem aqui rapidinho, diz que já tá com saudade depois de dois minutos sem mim e diz também aquelas coisas que me dão vontade de te apertar e colocar num potinho. Vem aqui devagarinho, tudo bem vai, eu assisto seu futebol e ainda torço com você, enquanto você assiste minha série boba.  Eu prometo não cortar meu cabelo curto porque você prefere ele longo.  Eu prometo que durmo feito um anjo e nem me mexo de noite, só não rouba toda a coberta, promete?! Ah, e não esquece de me beijar de manhã antes de sair, não ligo se me acordar, logo volto a dormir com seu gosto tatuado no meu. Agora deita aqui enquanto eu mexo no seu cabelo e penso no milésimo primeiro livro pra te escrever. -Luísa Monte Real


Sinto muito, mas...



   É porque no final do dia a gente não escolhe por quem vai se apaixonar. E boa parte de mim não queria ter se apaixonado por você e creio que nem você por mim. No final do dia, eu só queria ter me apaixonado por alguém que fosse exatamente como você, mas que não tivesse aquele "mas", aquele simples "mas" que parecia um grão, mas que você fazia questão em não assoprar e deixar pra trás, era tão pequeno, mas que como todo "mas" gerava o paradoxo que criava o famoso "uma coisa ou outra". No final do dia, você só queria ter seus 19 anos pra sempre e se engessar no seu "eu" como se já tivesse 80 e não houvesse mais tempo para ser diferente, ou até houvesse mas sabia que não tinha mais chance. Você não se dava essa chance e consequentemente, tirava a minha chance. No final do dia, você me fazia aflorar o melhor de mim e eu o seu quase melhor não fosse aquele "mas". No final do dia, eu só queria você, você só me queria, mas... "Eu não posso ser o tipo de cara que só quer uma? Por favor né e o meu ego?". No final do dia, eu ficava cinco minutos sem aparecer e você já surtava achando que te trai como se a gente tivesse algum tipo de compromisso, por que é isso que você fazia naquelas duas horas sem me responder, né? No final do dia, você queria que eu fosse somente sua quando seu coração era meu, mas seu corpo... Nem tanto. Mas tudo bem, o que importa é que a gente foi sincero o tempo inteiro, você nunca me escondeu que não mudaria e eu nunca te escondi que me tornaria sua princesa. No final do dia, a gente fingia que dava certo sabendo que já não havia dado. No final do dia, a gente se apaixonava mais um pouco só pra não ter que se entregar à derrota. No final do dia, era tudo perfeito e colorido para você enquanto para mim era um arco-íris, ou seja, Sol e chuva ao mesmo tempo, tudo por causa do seu "mas" que no momento, só estava pesando para o meu lado. No final do dia, eu já estava farta de andar naquela nossa montanha russa de emoções na esperança de encontrar o nosso caminho de calmaria. No final do dia, eu arrumei minhas malas, senti teu cheiro mais uma vez em suas roupas, peguei minhas chaves e deixei no seu criado mudo junto de uma cartinha porque você me conhece... E ei, promete não chorar para não molhar o papel? No final do dia, eu fiz o que era para ter feito há muito tempo, na verdade já era a terceira ou quarta vez que fazia, mas sempre esquecia de deixar as chaves... O mas sempre atrapalha né? Mas dessa vez eu ia sem "mas", aquele "mas" não me pertencia e não era minha obrigação aliviar o peso das suas costas com um problema que era seu e somente seu, e por isso eu fui embora. Espero que seu "mas" não fique tão pesado quando ver as chaves, a casa com partes vazias sem meus detalhes e meu cheiro perdido pelos cantos. Espero que você consiga ser feliz desse jeito que você diz gostar, com o seu jeito "mas" de ser. Não levo rancor, nem raiva, talvez um pouco de tristeza... mas carrego em mim as lembranças do alguém que fui com você e do quase alguém que você foi comigo. Só espero que no final do dia, você possa se livrar desse peso, consiga ser mais leve e que encontre alguém como eu logo depois disso para não se arrepender nem um segundo sequer de ter deixado o "mas" entre a gente. É porque no final do dia, quem me deixou escapar foi você. - Luísa Monte Real

Mão na mão, pés fora do chão

   E ai as nossas mãos se entrelaçaram. A sua esquentava a minha gelada. Um sentimento de segurança como nunca havia sentido igual. Não que eu precisasse da sua proteção, muito pelo contrário. Mas um sentimento de que o mundo acontecia e nada atingia minha atenção além do nosso toque. Entendia pela primeira vez como era sentir que só existia eu e alguém por um instante. Eu olhava tudo ao meu redor, mas não enxergava mais nada além de você. Eu ouvia vozes ao meu redor, mas não escutava mais nada além de você. Eu não queria mais soltar a minha mão da sua. Era como uma droga. Talvez até quisesse mais do que só ela dali umas horas... Não era como me sentir completa, mas transbordada. Coloquei meu aconchego e todo meu ponto de paz em nossas mãos por um tempo que eu nem sei dizer se foi muito ou se foi pouco. Foi além dessa lei e independente dela, alcancei a perfeição. Depositei em nossas mãos entrelaçadas o meu melhor "eu", e sentia que você fazia o mesmo, e ainda nem conhecíamos qualquer parte um do outro. Não senti medo de estar me entregando ao desconhecido e a improvisação se deu presente. Sem perceber deixei que "nós" existíssemos, tudo acontecesse e sentisse a partir de um toque de dedos e palmas. E mesmo que isso se dê somente como um item das melhores sensações e momentos que já tive, me bastará. - Luísa Monte Real 

Amor sem padrões

     E que tudo seja rosa vermelha e pimenta picante. Que tudo se transforme em amor com sentidos e intensidades diferentes, mas sem medida de valores. Amor é amor. Sem preços e sem explicações. Que se quebre a ideia de que só casais tem romantismo. Que irmãos e irmãs se declarem. Que vizinhos façam surpresa. Que pais recebam flores de seus filhos. Que avós e netos façam poemas. Que primos se mandem cartas de declaração. Que amigos briguem por questões da relação e se desculpem com chocolates. Que tios e sobrinhos vejam filme com pipoca no cinema. Que eu possa morrer de saudade por alguém sem que seja um namorado em um intercâmbio. Que eu possa achar o melhor beijo do mundo em uma rua qualquer sem que eu precise casar. Que eu possa amar intensa, bela e romanticamente meu melhor amigo sem que goste dele como meu namorado. Que eu possa abraçar minha irmã e me sentir no melhor abraço do mundo sem que ela seja meu noivo. Que meu maior companheiro seja meu cachorro. Que eu possa me apaixonar por todos que admiro e amo, porque pra mim paixão não significa tesão e não tem só um tipo. Que o meu sorriso preferido seja o da minha mãe. Que o meu maior riso seja do meu pai. Que eu possa amar todos como nunca amei ninguém. Mas que eu ache um mix de todo esse amor e paixão  acompanhados de um desejo carnal em uma pessoa que vou levar para casa, ter um cachorro, uma tartaruga e talvez um casal de filhos. - Luísa Monte Real

Eu nunca

   Nunca fui assim. Nunca fui de querer um coração partido. Nunca fui de me atrair por pessoas que estivessem sofrendo. Nunca me interessei amorosamente por alguém a qual uma parte lhe faltava. Sempre fui de sentir pena. Sempre me apresentei como auxiliadora e amiga para aqueles que carregavam algo negativo. Sempre acreditei em energias e tentava manter minhas companhias positivas e minha aura a mais clara o possível. Alguns, nada íntimos, me afastei, procurando não me envolver com as dores alheias. Cheguei a me afastar até daqueles que diretamente ou por ilusão da parte deles, causei dor. Mas com você foi diferente. Vi sua dor transformar-se em arte e me encantei. Seus sentimentos mais obscuros encenavam da maneira mais delicada em minha mente, tocando minha alma e emocionando minhas lágrimas. A dor se mostrava, mas junto dela eu via sua alma. Por mais que te faltasse um pedaço dela, era uma alma pura e somente inspirada pelo amor. Talvez você nem acredite mais em amores, mas vi em sua dor a sensibilidade de uma flor. E ai me vi...Eu me vi querendo não mais ser uma amiga que te aconselharia. Eu me vi querendo ser quem te guiaria para o melhor caminho. Eu me vi querendo te apontar a esperança de um nascer do Sol laranja rosado. Eu nunca quis tanto fazer parte das suas artes. E eu nunca... Nunca desejei tanto ser a pessoa que completaria o pedaço que te faltava. – Luísa Monte Real

Sobre mudanças

    E eu que um dia pensei que em novembro eu já teria te esquecido, que tudo já teria passado, que eu seria feliz de novo... Mas e aí? O tempo passou, hoje já é novembro e nada mudou. Tudo continua da mesma cor cinza, tudo a mesma porcaria de sempre. E ainda consigo alimentar a esperança de que é só esperar porque ano que vem vai ter mudado... Será? Pergunto-me se é mesmo o tempo que controla a situação, se são as coisas que tem que mudar e não eu. Percebi que novembro é só uma contagem. Percebi que não sou nada, e sim estou alguma coisa. Percebi que sou feita de escolhas e de não escolhas. Percebi que se não agrada-me o rumo que estou levando, não é o rumo que tem que mudar, e sim, eu que tenho que mudar de rumo. – Luísa Monte Real 

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