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Desmelancoliza-me



     As pessoas me olham por três lados: madura e teimosa, louca e divertida, ou frágil e fofa. Hoje eu tenho a certeza de que sou madura e teimosa, louca e divertida, e fofa, mas frágil? Você vai ter que me desculpar e descartar essa opção. Posso ser sentimental, ainda bem afinal sou humana e carrego em mim a arte de querer me expressar como tal. Mas  hoje não tem ninguém que me faça duvidar da minha coragem e do meu amor próprio, não importa o tamanho do erro que eu cometa, só eu sei o que sinto por mim nesse momento, aliás diferente do que muitos pensam, amor próprio para mim nem é necessariamente  se amar o tempo inteiro, nem ser perfeito e se tornar o centro da própria vida. É se machucar mas tomar conta da ferida, ou ainda se ferir mais e mais, testar seus limites, mas se autoconhecer e aceitar que aquilo é você, e que você não precisa se amar por inteiro, mas se ver como merecedor de cuidado próprio. Como todo amor, o amor próprio é construção e sentimento, é algo que não tem regra, você só sente e sabe, ás vezes não sabe, e tem a vida inteira para evoluir, afinal quem para de evoluir é corpo morto e alma vazia. 
     Só eu sei o que é superar minha depressão sozinha sem nem mesmo entender, explicar e nem mesmo preciso desse diagnóstico, na verdade eu só uso essa palavra para você entender mais ou menos do que se trata, porque vamos combinar que está bem banalizado. Recolher cada pedacinho meu com muita força, força que nunca tive, mas que me fiz ter, me reconstruir por inteira e me tornar ainda melhor do que um dia poderia esperar de mim mesma. Quando nada mais fazia sentido, quando não tinha mais luz, quando tudo era cinza e sem energia, tudo em câmera lenta e os dias iguais e intermináveis, a gravidade me puxava e era uma gravidade de tanta tristeza, que quase não era nada. O nada era o que me preenchia. Uma obsessão imensa de se questionar e se prender em sentidos que tinham caído por terra.  Mesmo assim, dia após dia, com muita força você se erguer e lutar por você. Você levantar da cama,  você não chorar, você procurar sentido, você procurar algum sentimento bom, algum sorriso ainda perdido em minha alma.
     Hoje, me agradeço e me orgulho de não ter desistido de mim e ter feito tanto por mim. Hoje entendo que minha teimosia já me trouxe muitas brigas, mas é ela que me sustenta sendo eu. É ela que me dá coragem de não aceitar engolir aquilo que querem que eu engula. É ela que me faz fixar meus sentidos de vida, senão tudo desmorona. É ela que me faz lutar cada dia pela minha subjetividade e meus valores. É ela que me faz ter força para encarar de peito aberto aquilo que eu preciso aprender. É ela que encara a minha dor comigo criando um futuro melhor e acreditando nos meus sonhos. Espero continuar fazendo mais e mais buscando quem eu quero ser quando acordo. Me refazendo, me destruindo um pouco ali e recomeçando um pouco aqui. Hoje, não há dor que não doa sem me doar algo bom em troca. Hoje, não há nada de mal que não me venha com uma lição. Hoje, não há sofrimento que seja inimigo. Hoje, não há melancolia que eu não desmelancolize. Hoje, me olho no espelho e sei o quão forte e corajosa eu sou. Quanta força de vontade por mim tenho e como meu caminho comigo mesma me motiva a continuar na descoberta de oceanos e universos dentro e fora de mim. Hoje, sei que no meu jardim as flores não só não mais viram pó, como tem espaço para todos os cheiros e cores. - Luísa Monte Real 

De Bem a Melhor

                                       

    E hoje é um daqueles dias em que eu acordo com o coração sereno. Aqueles dias que sinto que estou no caminho certo, mesmo sabendo que ainda tenho muitas batalhas para superar. É um daqueles dias que não sinto pendência nenhuma com você. Que me sinto com o dever cumprido e meu coração esbanja gratidão por ter vivido tudo que vivi com você. Que sinto que ambos fizemos nossos papéis na vida um do outro e precisamos nos libertar, para reconhecermos a nós mesmos de volta, para que possamos nos desprender dessa dependência de não saber o que é viver um sem o outro, para se querer de novo. Para que a gente possa preencher o que foi desgastado, para que a gente pare um pouco de se doar e possa se dedicar ao nosso amor próprio. Um daqueles dias que sinto uma saudade gostosa e fico recordando com muito prazer nossos momentos. Um daqueles dias que me sinto completa de amor e repleta de luz. Que dou aquele suspiro com gosto de valeu a pena. Um daqueles dias que sinto que ambos temos um caminho incrível pela frente e que estamos melhores um sem o outro agora, e que isso não derruba  tudo o que construímos. Um daqueles dias que tenho a certeza de que você também sabe disso nem que só bem internamente. Um daqueles dias que só tenho a te agradecer. Um daqueles dias que parece que todas as borboletas estão voando para fora de mim e as cicatrizes sendo cuidadas. Um daqueles dias que o Sol brilha em minha pele e eu sorrio de volta com o aconchego do abraço quente que a luz me dá. Um daqueles dias que eu paro para pensar e reparar em coisas simples como olhar uma formiguinha levando uma folha verdinha tão maior que ela até seu formigueiro, e ela tem tanto equilíbrio, força e noção do caminho e de onde ela tem que chegar, que me surpreende os seres humanos serem tão distraídos e perdidos. Talvez nós devêssemos olhar mais para as formiguinhas. 
    Um daqueles dias em que respirar não parece apertar meu peito. Um daqueles dias que eu me olho no espelho e enxergo coragem, força e a pessoa que eu gostaria de ser está bem ali na minha frente. Mexo em cada cacho e percebo que perdi um pouco de cabelo com minhas maluquices de pintar colorido, mas que nunca me achei tão bonita de um jeito simples e suficiente. Um daqueles dias que quero sorrir para um(a) estranho(a) na rua e olhar nos olhos dele(a). Já tentou? Sinceramente eu adoro, me sinto conectada, me sinto aqui, me sinto viva e me sinto pessoa sentindo outra pessoa, me sinto igual, nem melhor nem pior, igual. Um daqueles dias que abraço minhas imperfeições e digo "vocês são minhas". Um daqueles dias que relembro minhas qualidades, e por mais que meu caminho seja ser melhor e aprender a cada dia, faz parte reconhecer e valorizar nossa colheita. Um daqueles dias que precisar de alguém ou algo não faz sentido no mundo do amar e ser amada. Um daqueles dias que eu lembro a paciência e calma que aprendi a ter. Um daqueles dias que me amo por inteiro e sinto que há muito tempo não dava atenção a isso. - Luísa Monte Real

Quem estragou nossa música?


   Por que as pessoas dizem que estraga a música lembrar de alguém que não mais está aqui? Tudo bem, talvez lembrar dela doa ainda e admitir que ainda dói dá uma angustia danada. A cobrança de superar o outro, de ser feliz é tão grande. Mas e dai? Não se cobre tanto. Quem está deixando estragar a música é você, porque sinceramente, uma música boa ligada a um afeto bom não tem como ser melhor. Não destorça uma lembrança boa só porque agora dói não ter a pessoa ou por algum rancor mal resolvido que você tenha com ela. Não esconda a dor debaixo do tapete, abrace ela, ela também precisa de carinho. Você é só uma pessoa e ter sentimentos bons por alguém não tem nada de errado, mesmo que ela só esteja no passado agora, mesmo que ela tenha te decepcionado. Todo mundo erra, perdoe-a. Liberte-se desse apego que te faz estar revoltado por querer tê-la, mas pensa que não deve ou não pode, ao invés disso ame e sinta a música, não perca a magia. Eu acho tão gostoso, é como se eu pudesse sentir ela ali comigo, e tão perto, como se a pessoa dançasse dentro de mim...
  Faz assim olha, feche os olhos, deixa o som alto no seu ouvido, comece a cantar junto com a música... De repente você vai se lembrar dela e vai se sentir culpado, diga: ah que que tem? E sinta tudo aquilo que está aparecendo ali na hora, eu duvido você conseguir parar de sorrir, às vezes até umas lágrimas de emoção começam a cantar pelas suas bochechas. É um sorriso que vem lá da alma que atrapalha até mesmo sua cantoria tão afinada e ritmada. Imagino as curvas de seus ombros, o contorno dos teus lábios, da tua risada de neném e rio no meio da música. Lembro dos seus olhos castanhos escuros de bola de gude destacados por cílios pretos e demarcados com suas sobrancelhas grossas. Tão lindo,  beirando a perfeição vinda dos meus olhares sob teu corpo e alma. Desenhando seu maxilar e seu queixo quadrado em um rosto oval, onde escorrega sua barba escura com falhas loiras que dão o toque de imperfeição mais gostoso que existe. Consigo reviver um mar de emoções que sentia misturado com uma nostalgia que é tão boa. Consigo enxergar que minha raiva não tem lugar ali, quero lembrar de você do jeito que você falou que gostaria de ser lembrado. De um jeito bom, de um jeito que me some, de um jeito que você ainda pulse aqui dentro. Lembro dos dias que cantava comigo, aquela saudade grudada a uma felicidade de ter vivido tudo aquilo com você. Sorte. Sinto-me a pessoa mais sortuda e viva do mundo. Talvez a música seja o mais perto que a gente chegue de uma máquina do tempo, quem sabe? Então, como qualquer máquina, você só tem o controle dela se aprender a usa-la com sabedoria, paciência e cuidado. E eu te garanto que se você quiser, ela pode ter muitas outras funções além das que aparecem no manual. - Luísa Monte Real

Distância


  "Distância: quantidade de espaço que existe entre dois pontos separados, medido por metros, quilômetros entre outras medidas." É, no dicionário até pode ser isso, mas para mim quando se trata de pessoas vai muito além. Não que o espaço não seja importante, afinal nada como a experiência de fato, a vivência, o contato e a presença física, olho a olho. Talvez em um tempo distante o espaço realmente contava muito, mesmo assim sempre fomos criadores de métodos que diminuíssem a separação de nossas relações afetuosas ou coisas, atividades. Tenho muitas pessoas perto, no peito, que nem mais na terra estão, quer dizer, pelo menos que eu não possa ver. Distância para mim pode ser aquele vizinho que vive tão perto, mas você nem tem ideia do nome dele. Distância é o que eu sinto quando estou com alguém e ela não é mais a mesma, não reconheço mais, seja de modo surpreendente ou decepcionante. Distância pode ser quando sinto falta dois minutos depois de ter terminado. Distância pode ser aquilo que queria que fosse eternamente meu, mas me escapa entre os dedos da mão. Distância é o que o tempo faz com as pessoas, com as histórias, com a rotina, com a dor e com a alegria. Distância é quando eu estou em um ligar chato com gente chata, mas estou falando pelo celular com alguém que amo, estou distante do mundo físico, mas perto do mundo espiritual, ou se achar banal e vazio, virtual, como preferir. Distância é mais do que medida, é sentimento. É o estar aqui e depois não estar mais. É a falta. É a possibilidade de estar perto, mas parecer longe. É a possibilidade de estar longe, mas parecer perto. Distância dá medo. É como estar em cima de um penhasco e embaixo só se ver a escuridão, não se vê o chão, e dá a impressão de que se cair, já era. Não importa o número de metros, é sempre essa a sensação. Angústia. Dor. Saudade. Não alcançar. Não tocar. Não ver. Desaparecer. Perder. Distância também pode ser aquilo que você quer de algo ou alguém que incomoda. Distância é suspirar aliviado. Libertação. Calma. Curativo. Distância pode ser um mero número ou um sentimento indefinido e paradoxal que depende de cada contexto. Distância é universal e particular. Distância é aquilo que eu menos quero de você. - Luísa Monte Real 

A hora das borboletas



    10h da manhã de Sol as borboletas saem para beijar as flores. Algumas são beijadas de volta, outras são rejeitadas, outras se beijam e as flores se juntam para dizer que é falta de flor. Outras voltam no dia seguinte e outra borboleta já está em seu lugar. Outras nunca nem acham uma para beijar, outras já cansaram daquele beijo mais ou menos de flores murchas. Outras estão esperando flores que parecem nunca desabrochar, outras são negadas por ter beijado mais de uma flor. Outras deveriam ser maiores, deveriam ser menores, mais coloridas, menos coloridas, prefiro as rosinhas, as marrons parecem mariposas, quem gosta de mariposas? Asas muito pontudas, asas muito redondas essa dança demais tem que ser mais discreta, essa dança de menos BLAHBLAHBLAH AAAAAHHHH CHEGA! Elas estão tontas, vão e voltam, giram e finalmente, caem. Tanta cobrança, não se encaixam e outras fingem se encaixar. Quebradas por dentro. Cansadas.
    O fato é que todo dia é dia de desilusão e decepção com flores que não chegam a metade das suas expectativas. Mesmo assim, todo dia as 10h elas dançam com suas asas coloridas levando um pouco de cor e beleza para o mundo. Beleza. Elas também cansam disso. As flores querem sempre as mais bonitas. E mesmo as mais bonitas são sempre substituídas por outras, porque sempre vai existir uma que a deixe menos perfeita. Descartáveis e reutilizáveis. Nunca boas o suficiente, mas sempre aceitáveis. Às vezes elas só queriam que as flores se desprendessem de suas raízes e fossem dançar com elas, dando ao mundo um novo sentido, mas elas não acompanham. E as borboletas cada vez mais dançam e menos beijam. E isso as faz um pouco desesperançosas e até solitárias naqueles dias mais frios em que o Sol resolve se esconder por detrás das nuvens. Aquele dia que não se diferencia as 10h da manhã do meio-dia.  E então ela resolve beijar uma flor novamente para ver se algo mudou. O cheiro? O mesmo. O beijo? O mesmo. A cor? A mesma. O desabrochar, cadê?! As cobranças? As mesmas. Quanto tempo mais esperar? E aí, ela já nem liga mais, ela nem insiste mais e prefere se juntar a uma causa maior e se unir por um mundo de mais amor às borboletas que tem tanto para dar mas que poucos sabem receber. E então elas resolvem receber tudo aquilo que passaram a vida toda tentando dar e nenhuma flor soube cuidar. Amor.  Respeito. E a liberdade, que apesar de sempre terem tido asas, nunca antes haviam se permitido a dar-lhes sua real função. Voar e o vento beijar. -Luísa Monte Real

A loucura pela paixão



  Acho engraçado que as frases que mais ouço no meu dia são: "Luísa você tá bêbada?"; "Bebeu?"; "Pera, você não é maconheira???Mo jeito de maconheira"; "Luisa, tu fumou?"; "Quee isso tá doidooona...". E acreditem se quiser, meu apelido já foi até "cracuda". Não, gente, antes que digam qualquer coisa, não sou o estilo que bebe e finge estar bêbada só pra causar e chamar a atenção. Não sou aquele tipo "nossa, que ridícula, é uma adolescente perdida querendo aparecer". Para começar nem gostar de beber eu gosto muito. Eu simplesmente sou uma mistura de tranquilidade com um levei um choque na cadeira e sai rebolando por aí. Sou aquela mistura de introspecção com extroversão. Uma hora to lá e em um instante me conecto com algo aqui, em pensamentos que me deixam completamente fora da realidade. "Ih oh lá, tá viajando...". Estou mesmo, eu viajo o tempo todo, viajo em uma conversa, em uma música, em um sentimento, em um pensamento... Tenho o poder de me teletranspotar, e nem sabia disso antes de refletir sobre os tantos recados que recebi dizendo o quão maluca eu sou. Eu sou tão dentro de mim que acabo me expandindo para fora viajando em diversos universos, mergulhando no mar do outro com meu jeito sem vergonha de ser.      
   Quer saber?! Eu sou louca louquinha mesmo, porque gosto de me sentir humana. Gosto tudo intenso, gosto de mudanças e de poder ter o gostinho de ser tudo um pouco. Gosto de sofrer, mas sofrer por inteiro sem engolir uma gota de meu próprio veneno. Gosto de amar, mas amar com o peito aberto e inteiro. Gosto de rir, mas rir até doer a barriga. Gosto de achar tudo engraçado na idiotice e na bobeira. Também gosto de sentir raiva e sair gritando por aí. Gosto de ouvir uma música, fechar os olhos, sorrir e senti-la batendo em minha alma. Gosto de ser sincera e expressar o que sinto para o outro. "Luísa você é doida? Que coragem". Gosto de me ver livre de rancor e de dar chances para o outro. Gosto de ser rejeitada e ter a possibilidade de um recomeço andando no escuro. Gosto de arriscar e não me arrepender de ter tentado. Gosto de ter uma ideia e fazer na hora.  Já dizia Freud que paixão é uma loucura, e tenho certeza que essa é a minha. Gosto de me apaixonar, se não for pra se apaixonar nem confirmo presença, nem mesmo marco que tenho interesse. Sou apaixonada pela vida, pela minha história, pelos meus erros e acertos. Apaixonada pelos meus dons e pela minha vontade de ser sempre alguém melhor. Apaixonada pelo que sinto por alguém ou algo. Não estou dizendo que penso que vivo em um conto de fadas e saio idealizando e me iludindo por tudo que tem por aí. Talvez um dia eu tenha sido assim, mas hoje, penso que sou uma pessoa realista que simplesmente consegue e prefere ver o lado positivo das coisas, lutando e vivendo em uma loucura particular na qual encontro muita paz e um sorriso com emoção nos olhos. Porque se for pra sair de casa sem viver poesia, eu nem saio. E se for pra viver na loucura de só me lamentar, eu nem vivo. É essa loucura que me faz levar a vida com leveza. É ela que me dá a certeza de que o leve de viver está na felicidade que escolho e encontro dentro de mim, todos os dias. - Luísa Monte Real

Liberte-se e sinta



   Eu descobri o que era liberdade quando ser ansiosa não fazia mais sentido. Eu descobri o que era liberdade quando o meu maior objetivo virou viver um dia de cada vez. Quando me dei conta de que nada é certeza nessa vida e que essa é a graça. Quando descobri que a vida anda, gira e retorna independente de eu tentar calcular todos os passos que eu devo ou não dar. Independente do controle, a vida mexe, e ela é mais rápida e esperta do que você. Eu descobri o que era liberdade quando me dei conta que quem me prendia não eram meus pais, nem ninguém, era eu. Entendi que ser livre é me dar a chance de fazer escolhas o tempo inteiro. E de que fazer escolhas depende sempre de ganhar, mas ao mesmo tempo de perder. E lidar com a perda é o mais difícil, não é à toa que muitos se prendem a dizer não ter escolhas e não sair do lugar. Mas entendi que se eu me der liberdade e quiser eu posso escolher, voltar atrás, escolher de novo, reinventar e consertar. E ah, ser livre também é uma escolha. Sim, ninguém te dá a liberdade. A liberdade é só mais uma dessas coisas que se você não correr atrás, ninguém vai correr por você. Liberdade é entender que a vida é sua e que se você deixar, os outros não tem nada a ver com isso. Liberdade é deixar de ser egocêntrico e achar que tudo que o outro faz é para te atingir, é entender o outro além do que está na sua cara. Liberdade nada mais é do que ter responsabilidade por si mesmo. É se reconhecer como é, enxergar como quer ser e lutar para se tornar. Ser livre custa caro, mas o retorno é sem igual. Ser livre você tem que abrir mão desse seu orgulho, abrir mão de culpar sempre o outro por escolhas suas, abrir mão de ficar parado no seu lugar esperando a vida agir, dizer que é destino e se privar de tantas escolhas que podem ser feitas, ah se engana quem pensa que ficar parado não é uma escolha... E se você escolheu, tome responsabilidade do seu vazio. Ser livre é abrir mão do julgamento dos outros, e principalmente dos seus. O julgamento enquadra, tira possibilidades e diminui. Se permita se encontrar e deixe que o outro se encontre também, o tempo inteiro, não importa quantos anos você se conheça ou conheça o outro. Ser livre é reconhecer que você não consegue ser livre se não deixar o outro florescer também, se desprenda. Diferente do que muitos pensam ser livre nada que tem a ver com desapego. Liberdade é encontrar amor dentro de si e se permitir encontrar em outros corpos. Aquele amor tranquilo, que não controla, que não tem insegurança, que a certeza não tem lugar e que a naturalidade é quem passeia. Liberdade é entender que o outro não te deve nada, é fazer porque quer, e não pensando no retorno. Liberdade é desinflar o ego e investir no de dentro. É rir de si mesmo molhado quando esquece o guarda-chuva. É ser espontâneo. É aceitar, perdoar, permitir e amar os erros, pois sabe que são eles que nos dão a possibilidade de sermos melhores, e imperfeitamente livres. Liberdade é como andar numa floresta de olhos vendados onde você corre grande perigo, mas se depara com os sons mais relaxantes e bonitos, experimenta os cheiros mais saborosos e tateia uma diversidade de sentidos intensos e insubstituíveis. 

Lar doce mar

    



   Eu nunca entendi meu amor pelo mar. Não que amor desse para entender, mas tudo bem... Sei lá, o mar é tão o mar... É aquela coisa que não para nunca. Já pensou nisso?! Mesmo aqueles mares sem ondas, sempre tem uma corrente, um movimento. E se for falar de onda, já pensou que a mesma onda nunca foi repetida?! Nunca é o mesmo tamanho, nunca são as mesmas moléculas juntas, nunca a mesma forma, sempre diferente. E a cor do mar?! Muda o tempo todo, uma hora é verde, outra azul e às vezes até mesmo marrom meio mate. O mar é essa coisa única que não para nem se repete. Ele dá a sensação de estar sempre limpando tudo que está por dentro dele, dá a sensação de liberdade por não conseguirmos ver seu final. Dá aquele cheirinho gostoso e refresca até a alma. Ficar olhando o mar me dá uma calma, uma paz... Quando estou triste gosto de chorar olhando para ele, parece que ele vai lavar minhas lágrimas, parece que de certa forma ele me dá essa sensação de que tudo passa e se renova, sempre. O mar é uma dessas coisas que gosto de ter por perto, ele pode dar desvantagens como a umidade que faz eu ficar meio melada e meu cabelo em pé, mas prefiro morar no litoral ou pelo menos perto. Sei lá, é tão bom saber que tem um lugar certeiro onde eu posso estacionar a alma por algumas horas e me encontrar, me redescobrir ou até mesmo fugir de mim. Esquecer de tudo por algumas horas. Lembrar de tudo em outras. O mar, e a praia como um todo é como se fosse um colo. Além de tudo, ele ainda tem sua própria música. Respirar de olhos fechados e ouvir ele cantar para você é uma sensação indescritível, é quase uma terapia, se já não for uma.... E quando você mergulha nele é como se você se deslocasse para outro mundo. Um mundo interno. Onde o silêncio se coloca tão presente que parece ser possível escutar nosso corpo e nossa alma por inteiro. Um mundo que você se conecta com a natureza de uma forma tão direta e mágica. Ah, e não tem nada que me encha mais a alma do que conexões, conexões são esses encantos inexplicáveis que não se vê, não se toca, só se sente e só se sabe. O mar é essa mistura de beleza natural que encanta e hipnotiza os olhos com sensações que tocam a alma sem nem abri-los, afinal dizem que as melhores sensações, temos de olhos fechados. O mar é paradoxal. E quando voltamos à superfície parece que você se renovou junto com todos os ciclos que ocorrem nessa perfeita imensidão que é o mar. O mar é paz. O mar é conforto. O mar é turbulência. O mar é liberdade. O mar é perigo. Precisa-se ter responsabilidade para saber lidar com tamanho compromisso de ser livre, já dizia minha avó "o mar não tem cabelo para se segurar", ele te leva e leva, e quem não sabe onde se quer chegar, se perde... O mar é lindo. O mar é louco. O mar é meu reflexo. O mar é lar. - Luísa Monte Real

Espontânea


 
Ela nunca gostou de nada que a prendesse. Desde pequena sempre nervosinha, teimosa, com fome de independência e de querer ser grande pra ter liberdade... Se é que algum dia se conquista a tal. Ela nunca gostou de obrigações, se é pra fazer que faça com vontade, se não nem venha. Quanto mais natural, espontâneo e sincero for, melhor. Ela não gosta de enrolação. Ela sempre gostou de cartas na mesa e transparência no olhar. Ela gosta da empatia pra tentar ser justa e acabar entendendo um pouco mais sobre si mesma. Ela não cobra encontrar nos outros aquilo que ela é, se for pra ser, que ela seja pronto acabou. Muito menos aquilo que ela não é. Ela sempre gostou de ser a protagonista ou a antagonista da sua própria história, de levar a responsabilidade de ela mesma ter o papel de ser e não ser o que bem entender, ter a responsabilidade de acertar e errar. Ela não espera nada dos outros nem dela mesma, porque esperar é querer parar, é querer estabilizar, é querer controlar. E ai ai ai, controle ela não tem. Incerta ela é. Pensar e agir ela nunca para. Não necessariamente nessa ordem, até porque Espontânea é seu nome do meio. Ela procura estar bem para refletir o bem. Ela não gosta de brigas, prefere conversas. Ela não gosta de estresse e por isso vê tudo pelo lado positivo, afinal pra ela tudo é questão de ponto de vista. Ela não gosta de rotina e de planos, mapa então, nem se fala... Ela não gosta que coloquem palavras na sua boca. Ela gosta de ser única e singular como qualquer outra pessoa. Ela não é perfeita e por isso ama mudanças. Ela tem medo de ser julgada, mas aprendeu que querer ser o que todos querem é o mesmo que não ser nada. Ela descobriu que ela faz tudo por ela e não pra provar alguma coisa para alguém, quem viu, viu, quem não viu, quem sabe algum dia veja. Ela se acha engraçada e é a pessoa que mais ri de si mesma. Ela nem sempre gosta do que vê no espelho, mas na maioria das vezes sim. Ela gosta dos cachinhos dela e do seus olhos terem tons diferentes.  Ela não se arrepende de nada, pois o passado não volta e todo erro tem algum conserto. Ela aprendeu a perdoar, não por pena, mas para se dar a paz de que precisa. Ela acredita que respeito é tudo, respeitar o tempo, respeitar o lugar, respeitar o outro, respeitar a si e suas vontades. Ela quer que você dê a atenção de que ela precisa, mas também se não quiser ela prefere que não dê, porque ela também não suporta fazer as coisas sem vontade. Ela gosta de correr atrás daquilo que deseja e não perde oportunidades por orgulho, mas também sabe a diferença entre persistência e insistência. Ela não gosta de hipocrisia, contradições e mentiras, mas entende se você precisar delas para tentar se encontrar. Ela sabe que no final é isso que todos buscam, mesmo que alguns ainda se escondam no meio do medo de não ser o que esperavam. Ela sabe que todos querem uma segunda chance, todos querem ser melhores, todos querem um ouvido ou dois pra ser compreendidos ou pelo menos aceitos. Ela sabe que todos querem se desprender dos medos e serem espontâneos, serem livres, serem eles mesmos. Ela sabe que é o que todos querem, e por isso ela leva o papel de dar o que ela e todos gostariam de receber. E é por isso que ela não vai pedir pra você ficar. Ela vai te dar a liberdade de ser e fazer o que você bem decidir, sem rancor, sem pressão e com muita compreensão. Porque ela entende que todo mundo tem o direito de ser o que quiser e que ninguém deve nada a ela além de ela mesma, afinal a vida dela é só dela, a sua vida é só sua. E assim, ela vai te dar a chance de ser o que ela é, espontânea. -Luísa Monte Real

Novo ano a cada dia

Desde pequena eu sempre amei o Ano Novo. Talvez porque era sempre uma grande festa com pessoas da minha família. E eu sempre fui muito apegada a família, eram as pessoas que eu mais valorizava e amava. Talvez porque a gente ia pra praia de noite, e quem me conhece sabe meu amor pelas praias. Talvez por todo mundo estar fantasiado de branco. Talvez porque todo mundo ficasse unido e feliz. Talvez porque dava a sensação de limpar a alma e ter uma nova chance. Sei lá... A energia era muito boa naquele dia em especial e continua sendo, mas passei a procurar essa mesma energia nos outros dias dentro de mim. Esse dia para mim continua sendo um trampolim para eu conseguir saltar alto e mergulhar de cabeça em novas oportunidades do ano seguinte, abrir novos sonhos, deixar as coisas no passado e tudo que se fala sobre o tal Ano Novo. Mas acontece que diferente de muitas pessoas, eu comecei a realmente entender que o dia era apenas o trampolim e quem depois guiava o caminho do mergulho era eu. O dia era realmente importante e motivante, mas quem fazia ser diferente no dia seguinte do Reveillon, era eu. Não, não vou dizer que quem deseja um monte de coisa pro ano seguinte está errada, afinal eu continuo fazendo meus pedidos, porque nem tudo que acontece acontece porque queremos, vivemos em sociedade e nada é certeiro. Então, continuo sim pedindo alguns clichês. Apesar disso, entendi que muitas coisas dependem muito de mim e de como eu reajo, por isso foco mais no meu interior e no caminho que vou seguir quando minha cabeça for de encontro com a água ao saltar do trampolim. Relembro meus erros e meus acertos, mas não me prometo nada, nem ao menos me peço nada, só me preparo para o que está por vir de braços abertos e coração lavado. E isso é todo o resto dos dias. Todo dia me preparo para receber o novo, todo dia penso em mim e reflito minhas ações. Todo dia penso em me afastar de pessoas que não me somam nada, todo dia eu me amo mais um pouco. Todo dia penso nos amigos que realmente quero ter, todo dia peço desculpas a quem magoei. Todo dia eu penso nos meus sonhos e corro atrás em pequenos passos, todo dia acordo pronta para novos desafios, todo dia eu quero aprender, todo dia eu dou um sorriso ou mais, todo dia valorizo o que tenho. Todo dia olho nos olhos das pessoas, todo dia descarrego energias negativas e trago-me as positivas. Todo dia eu trabalho para que não fique tudo parado, sem graça, com poeira e criando teias de aranha, todo dia atualizo minha mente deixando o dia anterior guardado em uma gaveta. No Ano Novo não há nada muito de diferente, eu simplesmente fecho em uma gaveta maior um monte de gavetinhas fechadas durante todo o ano, aproveito para fechar algumas que podem, por descuido, terem ficado abertas. Aproveito para festejar (amo uma festa, já viu né...) e para respirar toda a alegria, esperança e paz que está no ar e que existe dentro de mim. Aproveito para descarregar todas as energias que arrecadei durante o ano, para poder me preencher de novo. Com o passar dos anos, eu percebi que a cada ano existiam novas experiências, novos obstáculos, mas eu percebi que eles só eram tão novos assim, porque eu mudava com cada situação que me aparecia, eu mudava aos poucos a cada dia e quando chegava no final do ano eu não era mais a mesma do começo, e foi então, que eu entendi que o trampolim não serve de nada se você não bater o pé depois de mergulhar. Um dia parei para pensar e eu não entendia como que eu havia mudado tanto ao ponto de desenvolver a capacidade de desabar num dia, deixar tudo doer demais e acordar no dia seguinte renovada, feliz, alegre. E foi ai que eu entendi que eu faço todos os dias depois de uma batalha ou até mesmo de um dia sem graça, um "Ano Novo". A vida é muito curta e o tempo muito rápido para esperarmos o ano inteiro para poder fazer e prometer fazer tudo o que queremos, isso tem que ser feito um pouquinho a cada dia, sem promessas nem muitas cobranças, por favor, deixa tudo fluir enquanto você toma, a cada dia, pequenas escolhas que vão ser responsáveis pela grande mudança que espera. Ah, porque a gente sempre quer mudar, a gente sempre quer ser melhor, a gente sempre quer tentar o diferente... Então desejo que nesse dia especial você suba no trampolim, salte bem alto quem sabe até dê uma ou duas piruetas no ar, mas mais importante que isso, que você não se esqueça de continuar nadando e se guiando quando entrar na água, porque o próximo trampolim só vem daqui a 365 dias. Feliz Ano Novo o ano inteiro!!!

Mão na mão, pés fora do chão

   E ai as nossas mãos se entrelaçaram. A sua esquentava a minha gelada. Um sentimento de segurança como nunca havia sentido igual. Não que eu precisasse da sua proteção, muito pelo contrário. Mas um sentimento de que o mundo acontecia e nada atingia minha atenção além do nosso toque. Entendia pela primeira vez como era sentir que só existia eu e alguém por um instante. Eu olhava tudo ao meu redor, mas não enxergava mais nada além de você. Eu ouvia vozes ao meu redor, mas não escutava mais nada além de você. Eu não queria mais soltar a minha mão da sua. Era como uma droga. Talvez até quisesse mais do que só ela dali umas horas... Não era como me sentir completa, mas transbordada. Coloquei meu aconchego e todo meu ponto de paz em nossas mãos por um tempo que eu nem sei dizer se foi muito ou se foi pouco. Foi além dessa lei e independente dela, alcancei a perfeição. Depositei em nossas mãos entrelaçadas o meu melhor "eu", e sentia que você fazia o mesmo, e ainda nem conhecíamos qualquer parte um do outro. Não senti medo de estar me entregando ao desconhecido e a improvisação se deu presente. Sem perceber deixei que "nós" existíssemos, tudo acontecesse e sentisse a partir de um toque de dedos e palmas. E mesmo que isso se dê somente como um item das melhores sensações e momentos que já tive, me bastará. - Luísa Monte Real 

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