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Mão na mão, pés fora do chão

   E ai as nossas mãos se entrelaçaram. A sua esquentava a minha gelada. Um sentimento de segurança como nunca havia sentido igual. Não que eu precisasse da sua proteção, muito pelo contrário. Mas um sentimento de que o mundo acontecia e nada atingia minha atenção além do nosso toque. Entendia pela primeira vez como era sentir que só existia eu e alguém por um instante. Eu olhava tudo ao meu redor, mas não enxergava mais nada além de você. Eu ouvia vozes ao meu redor, mas não escutava mais nada além de você. Eu não queria mais soltar a minha mão da sua. Era como uma droga. Talvez até quisesse mais do que só ela dali umas horas... Não era como me sentir completa, mas transbordada. Coloquei meu aconchego e todo meu ponto de paz em nossas mãos por um tempo que eu nem sei dizer se foi muito ou se foi pouco. Foi além dessa lei e independente dela, alcancei a perfeição. Depositei em nossas mãos entrelaçadas o meu melhor "eu", e sentia que você fazia o mesmo, e ainda nem conhecíamos qualquer parte um do outro. Não senti medo de estar me entregando ao desconhecido e a improvisação se deu presente. Sem perceber deixei que "nós" existíssemos, tudo acontecesse e sentisse a partir de um toque de dedos e palmas. E mesmo que isso se dê somente como um item das melhores sensações e momentos que já tive, me bastará. - Luísa Monte Real 

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