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Novo ano a cada dia

Desde pequena eu sempre amei o Ano Novo. Talvez porque era sempre uma grande festa com pessoas da minha família. E eu sempre fui muito apegada a família, eram as pessoas que eu mais valorizava e amava. Talvez porque a gente ia pra praia de noite, e quem me conhece sabe meu amor pelas praias. Talvez por todo mundo estar fantasiado de branco. Talvez porque todo mundo ficasse unido e feliz. Talvez porque dava a sensação de limpar a alma e ter uma nova chance. Sei lá... A energia era muito boa naquele dia em especial e continua sendo, mas passei a procurar essa mesma energia nos outros dias dentro de mim. Esse dia para mim continua sendo um trampolim para eu conseguir saltar alto e mergulhar de cabeça em novas oportunidades do ano seguinte, abrir novos sonhos, deixar as coisas no passado e tudo que se fala sobre o tal Ano Novo. Mas acontece que diferente de muitas pessoas, eu comecei a realmente entender que o dia era apenas o trampolim e quem depois guiava o caminho do mergulho era eu. O dia era realmente importante e motivante, mas quem fazia ser diferente no dia seguinte do Reveillon, era eu. Não, não vou dizer que quem deseja um monte de coisa pro ano seguinte está errada, afinal eu continuo fazendo meus pedidos, porque nem tudo que acontece acontece porque queremos, vivemos em sociedade e nada é certeiro. Então, continuo sim pedindo alguns clichês. Apesar disso, entendi que muitas coisas dependem muito de mim e de como eu reajo, por isso foco mais no meu interior e no caminho que vou seguir quando minha cabeça for de encontro com a água ao saltar do trampolim. Relembro meus erros e meus acertos, mas não me prometo nada, nem ao menos me peço nada, só me preparo para o que está por vir de braços abertos e coração lavado. E isso é todo o resto dos dias. Todo dia me preparo para receber o novo, todo dia penso em mim e reflito minhas ações. Todo dia penso em me afastar de pessoas que não me somam nada, todo dia eu me amo mais um pouco. Todo dia penso nos amigos que realmente quero ter, todo dia peço desculpas a quem magoei. Todo dia eu penso nos meus sonhos e corro atrás em pequenos passos, todo dia acordo pronta para novos desafios, todo dia eu quero aprender, todo dia eu dou um sorriso ou mais, todo dia valorizo o que tenho. Todo dia olho nos olhos das pessoas, todo dia descarrego energias negativas e trago-me as positivas. Todo dia eu trabalho para que não fique tudo parado, sem graça, com poeira e criando teias de aranha, todo dia atualizo minha mente deixando o dia anterior guardado em uma gaveta. No Ano Novo não há nada muito de diferente, eu simplesmente fecho em uma gaveta maior um monte de gavetinhas fechadas durante todo o ano, aproveito para fechar algumas que podem, por descuido, terem ficado abertas. Aproveito para festejar (amo uma festa, já viu né...) e para respirar toda a alegria, esperança e paz que está no ar e que existe dentro de mim. Aproveito para descarregar todas as energias que arrecadei durante o ano, para poder me preencher de novo. Com o passar dos anos, eu percebi que a cada ano existiam novas experiências, novos obstáculos, mas eu percebi que eles só eram tão novos assim, porque eu mudava com cada situação que me aparecia, eu mudava aos poucos a cada dia e quando chegava no final do ano eu não era mais a mesma do começo, e foi então, que eu entendi que o trampolim não serve de nada se você não bater o pé depois de mergulhar. Um dia parei para pensar e eu não entendia como que eu havia mudado tanto ao ponto de desenvolver a capacidade de desabar num dia, deixar tudo doer demais e acordar no dia seguinte renovada, feliz, alegre. E foi ai que eu entendi que eu faço todos os dias depois de uma batalha ou até mesmo de um dia sem graça, um "Ano Novo". A vida é muito curta e o tempo muito rápido para esperarmos o ano inteiro para poder fazer e prometer fazer tudo o que queremos, isso tem que ser feito um pouquinho a cada dia, sem promessas nem muitas cobranças, por favor, deixa tudo fluir enquanto você toma, a cada dia, pequenas escolhas que vão ser responsáveis pela grande mudança que espera. Ah, porque a gente sempre quer mudar, a gente sempre quer ser melhor, a gente sempre quer tentar o diferente... Então desejo que nesse dia especial você suba no trampolim, salte bem alto quem sabe até dê uma ou duas piruetas no ar, mas mais importante que isso, que você não se esqueça de continuar nadando e se guiando quando entrar na água, porque o próximo trampolim só vem daqui a 365 dias. Feliz Ano Novo o ano inteiro!!!

O grito

   Ah! E eu gritei. Lembro-me, eu ainda era pequenininha. Do som da minha voz infantil você surgiu. Não te reconhecia nem sabia exatamente o que tu eras, nem mesmo o que eu sentia em relação a isso. Meu grito baixinho. Às vezes até me esforçava para poder escutar seu eco infinito. Era um grito com muitas confusões de som. Mistura de zunidos. Quem é essa que está roubando parte de mim? Chega e vira meu mundo de cabeça para baixo! O grito se tornava berro e percebia agora que você também gritava, comigo. O que parecia ser um grito e confusão de sons não vinha só de dentro de mim. Tentava tirar o som que ouvia de foco na hora da discórdia, não queria admitir que ali havia alguma conexão, mas como evitar esse serzinho que carrega tanto de mim em si ?! Brincadeiras. Histórias. Palhaçadas. Caretas. O eco aumentava, escutava quase que claramente, o grito se tranquilizava e parecia se organizar com os vários zunidos. Meus pensamentos se tornavam mais nítidos, e consequentemente, mais intensos. O grito não mais era berro. Era um som doce, como uma voz calma e harmônica, vinha da junção de uma playlist inteira com diversos tipos de música, que nos unia e definia muito nossas personalidades, mesmo que tão diferentes e exclusivas. Controlávamos juntas cada timbre, amplitude e frequência. Às vezes erramos alguns acordes, mas o que são duas ou mais notas estranhas quando a seguinte já está correta? Nos tornamos um dueto. Duas letras de música que formam uma  só canção. Perfeita, inesquecível e incansável sintonia. Agora entendia, o som era a nossa relação.

O intruso

    Por que você faz isso? Por que você se fecha? Por que você não se entrega? Por que você cria esse peso? Por que você não me deixa ver seu jardim? Mesmo que ele seja assim, meio bagunçado e cinza. Deixa eu ver, só pra gente bolar um plano de colocar uns passarinhos, umas cores, uns cheiros, uma brisa que varre e um sol que ilumina. Só para gente tentar. Juro que se não der certo eu te dou o cimento pra colocar seu muro de volta. Mas deixa eu tentar... Ei, quem foi que te fez ficar assim? Quem foi que te disse que você tem sempre que ser forte? Quem foi que te disse que ser pedra é melhor? Quem foi que te disse que você tem que ser perfeito? Quem foi que te disse que tem que ser sempre certo? Quem foi que te disse que não se pode confiar em ninguém? Quem foi que te disse que você só machuca os outros? Quem foi que te disse que a dor é fraqueza? Quem foi que te disse que ela é sua inimiga? Quem foi que te disse que as lágrimas tem que ser seguradas? Foi você não foi? Não foi você quem te disse todas essas coisas? Não foi você que se convenceu de tudo isso para não ter que encarar suas dores, seus erros, seus defeitos, seus medos? Oh meu amor, não se cobre tanto. Não escolha o caminho mais fácil, mal sabe que é o caminho com mais armadilhas. Armadilhas que você mesmo faz para se proteger de intrusos, se proteger de qualquer um que te faça acelerar o coração, qualquer um que te seja uma ameaça, e então você começa a achar que todos são uma ameaça e faz de tudo para ninguém entrar. Mal sabe que o seu maior intruso é você mesmo. E esse intruso não é seu inimigo não, na verdade ele é o seu melhor amigo. Ele é o teu reflexo, ele pode ser bem feio quando aparece e talvez por isso você nem queira vê-lo ou nem mesmo o reconhece, talvez por isso você ache que os intrusos são os outros. Mas ele é seu melhor amigo e só quer te amar, te cuidar. Ele quer te mostrar seus defeitos, ele quer te mostrar o estrago, mas ele quer que você o veja e o enfrente. Que você o aceite, que você admita que ele é você. Mas ele quer mais do que isso, ele se mostra porque ele pede desesperadamente que você perceba que você é capaz de mudar, que você é capaz de ser o que você sempre quis, que você molde ele do seu jeitinho, mesmo que doa no começo, mesmo que a massinha seja dura de início. Ele quer que você não o abandone mais, que você o respeite, que você o ame. Que você não tem que ter medo de nenhum outro intruso porque se você souber lidar com ele, não tem quem te segure. Então vem, eu te ajudo. Dê-me a sua mão. Mostra-me esse intruso, deixa ele me bater com força se você não aguentar, só não esconda ele. Liberte todos os seus demônios e os faça luz. Prometo ficar se você prometer que não vai mais se abandonar . Vem sem medo de me machucar, porque ninguém pode me machucar mais do que eu mesma e por isso me garanto da certeza de que te carregarei no colo sem me doer. Deixa eu te mostrar que eu posso amar ele e assim quem sabe você também não o ama? Por favor meu amor, porque seu orgulho, seu ego e suas barreiras já me sufocam. Não posso mais te ver se autocastigando, não posso mais te ver fugindo de quem você realmente é e quer ser. A gente é tão novo, ainda dá tempo de mudar, ainda dá tempo de fazer diferente, ainda dá tempo de se libertar e se encontrar. Vai, mostra pra todo mundo quem é o trouxa nesse mundo. Vai, mostra pra esse mundo cheio de solidão e individualismo que a gente pode dar sem ter que receber e que isso não é submissão. Vai, mostra pra esse mundo cheio de dor e ódio que ainda tem esperança. Vai, mostra que não existe impossível. Vai, mostra pra todo mundo que autoestima tem a ver com amor próprio e não ego e imagem. Vai, fala o que ninguém falou. Mostra o que ninguém mostrou. Tenta o que ninguém tentou. Inventa o que ninguém inventou. Acredita no que ninguém acreditou. Erre o que ninguém errou. Conserte o que ninguém consertou. E ame o que ninguém pode amar mais e melhor. Você.

Ipanema

      Não sei o que tanto eu gostava naquele lugar. Obviamente, por simplesmente ser Ipanema, estar na Zona Sul, um dos lugares mais famosos e bonitos do Rio de Janeiro, com diversas áreas culturais, históricas e naturais por perto. Obviamente por ter um dos melhores e mágicos lar, a praia. Obviamente por ter o pôr do Sol mais lindo que já vi. Mas não era só isso... Era mais do que isso, porque eu amava a energia da Zona Sul, mas Ipanema era especial. Talvez porque passasse ali todo dia e era como me apaixonar todo dia pelo mesmo lugar. Talvez fosse a sensação de lar e de paz. Talvez fossem as memórias que aquele lugar me trazia e/ou as memórias que eu ainda queria ter ali. Talvez fosse a imagem que eu havia encontrado o ponto de conforto dos meus olhos: a junção do céu, a praia, o Morro dos Dois irmãos com a favela brilhando e um pedaço da Pedra da Gávea. Talvez fosse porque dava pra fazer muitas coisas a pé, sentir o chão, ver gente. Talvez porque era um ponto ótimo para ir para muitos outros lugares do Rio.  Talvez fosse a diversidade de pessoas que passavam ali. Ricos, pobres, negros, brancos, amarelos, vermelhos, hippies, rockeiros, funkeiros, rappeiros, patricinhas, nerds, gordos, magros, musculosos, gente bonita, muita gente bonita, brasileiros, gringos, altos, baixos, deficientes, loucos - loucos todos somos -, gente cheirosa, gente sem cheiro, gente fedida, muita gente. Gosto disso, muita gente, muita falação, movimento. Contato com mil e um gostos, pensamentos, energias e histórias de vida. Talvez as coisas espontâneas que se encontravam ali. Talvez fosse a música ao vivo. Talvez fosse a vida. Sim, muita vida circulando e me dava a incrível sensação de pertencer e de estar viva. Talvez todos esses fatores me fizessem ver eu mesma. Ipanema era meu reflexo. Fazia-me sentir ao mesmo tempo carioca turista e uma paulista moradora. Uma mistura. Uma paulista pseudocarioca. Fazia-me sentir parte de uma miscigenação. Fazia-me sentir brasileira e com vontade de ser.  - Luísa Monte Real


Foto: Luísa Monte Real 

Ela

 
 
     Uma mãe. Uma esposa. Uma tia. Uma prima. Uma sobrinha. Uma irmã. Uma filha. Uma mulher. Tudo em uma só. Carrega o peso de mil personagens, mil histórias, erros, dores, acertos, alegrias, perdas e ganhos em um só coração. E que coração... Esse coração não é de pedra não, mas é forte como uma. Esse coração não é mole não, mas é aconchegante como pluma. É um coração paradoxal, mas que funciona. É o coração dela e sem posse algum entrega nas mãos do mundo. Ele pode até ter algumas cicatrizes e manchas, mas pra mim é o que o deixa mais bonito. É o que dá a sua singularidade, é o que faz com que em meio ao mundo em que foi entregue todos saibam "é dela". Só ela sabe como foi difícil torná-lo assim. Só ela sabe quantas vezes ele quis desistir. Só ela sabe como ele foi teimoso e preguiçoso nas lutas. Mas ela nunca o abandonou, ela nunca desacreditou, ela sabia que haveria um retorno de todos os sacrifícios que passou e ainda passa para permacê-lo assim como uma porta de boas vindas, um lugar gostoso, calmo, leve e com muitas energias positivas circulando por ele. Ela sabia que assim ela poderia se tornar a mulher de hoje. Ela sabia que assim todas as suas cicatrizes seriam sempre fechadas, sem jorrar sangue em si mesmo e nos outros. Ela é assim, forte e delicada. Porque a fortaleza está na abertura das gentilezas, e a fraqueza na barreira das grosserias. E hoje, ela se olha no espelho e o reflexo é um brilho simples, um brilho que não ofusca os outros, mas ilumina. Não há quem não se inspire nela, não há quem não a admire, não há quem não queira receber um pouquinho do seu coração. E ela é assim, não dá nem pra sentir inveja, traz só a vontade de ficar adorando, de querer receber sua luz e de um dia quem sabe ter uma singularidade, não igual a dela, mas que seja capaz de amar como ela. - Luísa Monte Real

Foto: Beth Romano

Ficar só


  E talvez eu te diga pra ficar, só mais um pouco, talvez um pouco assim meio que até mais que pouco... Fica assim, meio mais ou menos. Meio emburrado e calado, mas fica aqui. Fica só pra eu dar um sorriso torto. Fica só pra embaçar a minha dor. Fica só pra não ficar só. - Luísa Monte Real

Foto: Beth Romano
"Amar também é sofrer um pouco. E vale a pena sofrer por algumas pessoas" - Luísa Monte Real

Mão na mão, pés fora do chão

   E ai as nossas mãos se entrelaçaram. A sua esquentava a minha gelada. Um sentimento de segurança como nunca havia sentido igual. Não que eu precisasse da sua proteção, muito pelo contrário. Mas um sentimento de que o mundo acontecia e nada atingia minha atenção além do nosso toque. Entendia pela primeira vez como era sentir que só existia eu e alguém por um instante. Eu olhava tudo ao meu redor, mas não enxergava mais nada além de você. Eu ouvia vozes ao meu redor, mas não escutava mais nada além de você. Eu não queria mais soltar a minha mão da sua. Era como uma droga. Talvez até quisesse mais do que só ela dali umas horas... Não era como me sentir completa, mas transbordada. Coloquei meu aconchego e todo meu ponto de paz em nossas mãos por um tempo que eu nem sei dizer se foi muito ou se foi pouco. Foi além dessa lei e independente dela, alcancei a perfeição. Depositei em nossas mãos entrelaçadas o meu melhor "eu", e sentia que você fazia o mesmo, e ainda nem conhecíamos qualquer parte um do outro. Não senti medo de estar me entregando ao desconhecido e a improvisação se deu presente. Sem perceber deixei que "nós" existíssemos, tudo acontecesse e sentisse a partir de um toque de dedos e palmas. E mesmo que isso se dê somente como um item das melhores sensações e momentos que já tive, me bastará. - Luísa Monte Real 

Telepatia

Seu silêncio pesado me incomoda
Seu silêncio lento me faz pensar
O que está pensando?
O que quer dizer?
Quer dizer alguma coisa?
Vai dizer agora?
Quer que eu diga?
Meu silêncio de chumbo te incomoda
Meu silêncio devagar te traz um dilema
Falo não falo? Eu começo?
To esperando te incomodar tanto até dizer o que quer
To esperando pra não falar e te cortar se começar a falar
Por que a gente sempre quebra o silêncio na mesma hora?
Seu silêncio sereno me acalma
Seu silêncio doloroso revela seu arrependimento
Seu silêncio pensativo me mostra  mais do que suas palavras
Palavras nunca são seu forte...
Seu silêncio triste diz suas mágoas
Seu silêncio só me diz tudo isso porque já conheço seus pensamentos.
Pensamentos que não se conectam com palavras
Falo que não sei o que falar?
Quero ter o que falar, ela sempre fala...
Meu silêncio te diz que entendo sua falta de palavras
Meu silêncio te diz que te perdôo
Meu silêncio te diz que se quiser não precisa falar
Meu silêncio te diz que se quiser pode começar um assunto bobo,
do dia-a-dia
Meu silêncio só diz tudo isso porque já conhece minhas palavras.
Seus silêncios calam seus pensamentos.
Meus silêncios calam minhas palavras.
Tá melhor do resfriado?

  – Luísa Monte Real





Amor sem padrões

     E que tudo seja rosa vermelha e pimenta picante. Que tudo se transforme em amor com sentidos e intensidades diferentes, mas sem medida de valores. Amor é amor. Sem preços e sem explicações. Que se quebre a ideia de que só casais tem romantismo. Que irmãos e irmãs se declarem. Que vizinhos façam surpresa. Que pais recebam flores de seus filhos. Que avós e netos façam poemas. Que primos se mandem cartas de declaração. Que amigos briguem por questões da relação e se desculpem com chocolates. Que tios e sobrinhos vejam filme com pipoca no cinema. Que eu possa morrer de saudade por alguém sem que seja um namorado em um intercâmbio. Que eu possa achar o melhor beijo do mundo em uma rua qualquer sem que eu precise casar. Que eu possa amar intensa, bela e romanticamente meu melhor amigo sem que goste dele como meu namorado. Que eu possa abraçar minha irmã e me sentir no melhor abraço do mundo sem que ela seja meu noivo. Que meu maior companheiro seja meu cachorro. Que eu possa me apaixonar por todos que admiro e amo, porque pra mim paixão não significa tesão e não tem só um tipo. Que o meu sorriso preferido seja o da minha mãe. Que o meu maior riso seja do meu pai. Que eu possa amar todos como nunca amei ninguém. Mas que eu ache um mix de todo esse amor e paixão  acompanhados de um desejo carnal em uma pessoa que vou levar para casa, ter um cachorro, uma tartaruga e talvez um casal de filhos. - Luísa Monte Real

Um telefonema, mas o seu.

    Saudades de quando a gente ficava horas no telefone falando sobre tudo e sobre nada. Todos os minutos eu ficava com um sorriso estampado no meu rosto, muito boba, e pelo tom da sua voz eu sabia que você sorria igualmente. Saudades de como às vezes você me escutava tão bem e às vezes não me deixava falar nem por um segundo. Saudades de quando chegava um momento em que o assunto acabava e sua respiração era o ponto mais calmo e aconchegante que eu já pude encontrar. Dizem que o silêncio cômodo é o ponto de maior intimidade e me sinto assim com você. O silêncio e a sua presença eram tão confortantes e relaxantes que não me importava de deitar naquele banco de madeira que fazia minha cabeça doer no dia seguinte. Nessa hora eu não pensava em nada e creio que você também não. Ouvia só a sua respiração e você a minha. Só pensava em como ela fazia-me sentir tão acolhida por você, às vezes um de nós chegava até dormir por tamanha calmaria. Saudades de quando ficávamos horas no telefone e eu me sentia tão perto de você ao ponto de parecer que a sua voz estava dentro de mim, mas ao mesmo tempo tão longe ao ponto de não poder te abraçar. Saudades de me sentir como eu me sentia quando a gente se falava por telefone, uma euforia, uma alegria. Saudades da sua risada boba de criança. Saudades de quando eu fingia que não estava mais ali e você repetia meu nome mil vezes de diversas maneiras e vozes até eu falar: "que?". Saudades das suas manias, confesso que algumas estão comigo e sinto raiva todas as vezes que me pego fazendo-as. Saudades até da sua voz, que não era muito do meu gosto, e que apesar de masculina e rouca, era um pouco fina. Aquele sotaque mole e forte de carioca que tanto me irritava e às vezes até me fazia rir e tirar sarro. Aquele silêncio depois do "acho que vou dormir" dizendo que os dois queriam aquele momento eterno não só nas lembranças. E o silêncio entre o "boa noite" e o som de que desligou, trazia-nos a vontade de dizer que nos amávamos. Sim, brigamos muitas vezes e nelas nem de longe queria ter a presença da sua  aconchegante respiração e da sua irritante voz. Mas brigas que só nos fortaleceram. Hoje já não sei mais o que vai dar. Hoje só sei da saudade. E espero que sua respiração logo chegue, antes que eu comece a ter que me lembrar de não esquecer o som da sua voz. - Luísa Monte Real

Eu e minhas 7 vidas

    Dizem que só gatos tem 7 vidas. Eu com certeza tenho 7 vidas, se é que não tenho mais, talvez perca a conta até o final... Não sei na sua, mas na minha vida existem várias outras vidas com o mesmo protagonista. Eu. É mais ou menos assim que acontece: A cada dia, um passo. A cada passo, uma descoberta. A cada descoberta, uma mudança. A cada mudança, uma característica. A cada característica, um eu. A cada eu, uma vida. A cada vida, um momento. A cada momento, uma fase. A cada fase, uma descoberta. A cada descoberta, uma porta. A cada porta, uma abertura. A cada abertura, um entendimento. A cada entendimento, uma lição. A cada lição, um despertar. A cada despertar, um brilho no olhar. A cada brilho no olhar, um amor. A cada amor, uma intensidade. A cada intensidade, uma alma vivaz. A cada alma vivaz, uma paz. A cada paz, uma felicidade. A cada felicidade, uma tristeza. A cada tristeza, uma superação. E assim vai, um ciclo. Nem tão redondo, completo e compreensível, mas meu ciclo. Meu ciclo tem ramificações que se conectam, mas não necessariamente se fecham. Meu ciclo tem etapas repetidas, mas que não necessariamente me levam aos mesmos fins. Sou a mistura de diversas vidas que formam uma só, a minha. Mas todas as vidas que já protagonizei e ainda incorporarei se mantêm de alguma forma, mesmo mudadas. Todo dia é uma nova chance para eu ser a mesma ou outra vida. Todo dia é uma chance de eu ser aquilo que me condiz. A única coisa que nunca muda é que eu nunca paro de me mudar e me tornar, ser e crescer, amar e desapegar, mas principalmente, viver e aprender. Isso sem contar as infinitas vidas que passam entre as minhas... Mas e ai, quantas vidas você tem? - Luísa Monte Real

Quando perdoei

   Uma certa manhã me peguei e tinha te perdoado. Descobri que foi algo de tempo. Descobri que foi sem eu querer ou perceber. Eu percebi que perdoei quando naquela manhã, descobri que eu não sentia mais pelos seus erros. Perdoei quando estranhei a memória deles. Perdoei quando duvidei que tudo não tinha passado de um pesadelo, e que nem traumático este tinha sido. Perdoei quando me peguei pensando: "Você realmente fez isso? Nossa nem dá pra acreditar, que doideira!". Perdoei quando a lembrança era só memória e não doía mais, como um filme. Perdoei quando superei. Perdoei quando olhei nos teus olhos e te amei mais ainda apesar dos pesares.  Perdoei quando olhei nos teus olhos e soube que valeu a pena não ter desistido. Perdoei quando meus machucados estavam cicatrizados e eu senti surpresa ao ver que no seu corpo eles estavam igualmente tatuados. - Luísa Monte Real 

Das simples coisas

  Eram mais ou menos onze horas da noite. Eu estava na famosa calçada de Ipanema, esperando meu ônibus passar para voltar para casa, onde minhas irmãs me esperavam dormindo, meus pais acordados e minha cama quentinha. Estava chovendo e de todos os dias, o único em que chovia era o único o qual eu esquecera o guarda-chuva. Várias pessoas estavam no ponto, cada qual consigo e seus respectivos guarda-chuvas. Cada chuva um segundo. E logo, eu estava molhada de minutos. Meus óculos não mais resolviam minha miopia. Ah! Não contente, havia esquecido meu casaco também. Os segundos caiam gelados enquanto o ônibus certo não chegava. De repente, vejo um homem com seu guarda-chuvinha preto, o menor que encontrei ali. Ele deveria ter seus quarenta anos, magro e baixo. Dizia alto e sozinho:
   ----Viado é você! - logo pensei comigo: " esse homem é maluco? Tá falando sozinho? " - Viado a puta que pariu! - e então, meu pensamento foi mais a fundo. Alguém nesse mundo cheio de preconceitos, provavelmente, o tinha insultado naquela noite chuvosa. 
    Até que vi que ele me viu e se assustou, desviei o olhar. Então, ele veio até mim e sorriu um sorriso de lavar a alma, me surpreendendo, colocando-me debaixo de seu guarda-segundos fazendo os segundos pararem, ou melhor, fazendo-me parar de senti-los, e dizia: 
   ----O que você faz aqui nessa chuva? Tão magrinha...
   ----Aí, muito obrigada! - eu agradeci sorrindo - Esqueci meu guarda-chuva. 
   ----E ninguém se ofereceu?! - o homem disse olhando a sua volta - Povo mal educado!
   Então, meu ônibus parava e eu tinha que ir. 
   ----Para onde você está indo? 
   ---- Barra. - eu respondia andando e ele atrás para eu não me molhar mais. 
   ----Ah eu também, mas não pego esse não. 
   ----Ah sim, muito obrigada novamente.
  E ele me sorriu. Fiquei no máximo dez gotas debaixo de seu guarda-segundos. Não me  deixou menos molhada, de fato. Mas seu ato simples somou-me muito mais. Aquela pessoa que normalmente é excluída da sociedade por sua opção sexual, que com toda raiva e revolta que poderia estar naquele momento, preferiu engolir, sorrir e me ajudar com seu mini-guarda-chuva em meio a vários que nem me notaram, seja por qual razão. Um gesto simples, um gesto bobo, que não custava nada, mas que me significou muito. Fazer o bem sem esperar nada em troca. Algumas pessoas veriam como obrigação, mas eu vi como amor, generosidade. Porque eu sou assim mesmo, sou boba mesmo, talvez romântica. Porque eu sou assim mesmo, absorvo lições do mais despercebido ocorrido. Porque eu sou assim mesmo, encantam-me as mais simples coisas. Porque eu sou assim mesmo, sou amor, sou a rosa toda, sou Sol e Lua, sou seca e chuva. Porque eu sou assim, sou todos os momentos que me passam e deixam de passar. Sou, só isso mesmo. 

Doaer

  Então deixe-me ir embora, você nunca foi de tentar manter ninguém mesmo. Nunca foi de fazer os maiores esforços para ter alguém ao lado. Sempre foi "aceita que dói menos". E quem foi que disse que às vezes é melhor que não doa? Às vezes a dor vale a pena. Às vezes é preciso saber senti-la. A dor deixa cicatrizes. Cicatrizes carregam histórias. As nossas histórias. Cicatrizes são a marca registrada de quem fomos um dia e o que nos tornamos hoje. Diga-me afinal, você mesmo. Não era você quem tinha 20 cicatrizes pelo corpo? Aquelas que fez quando ainda menino? Pois, traga-o de volta, ele era bem destemido.  – Luísa Monte Real 

Eu nunca

   Nunca fui assim. Nunca fui de querer um coração partido. Nunca fui de me atrair por pessoas que estivessem sofrendo. Nunca me interessei amorosamente por alguém a qual uma parte lhe faltava. Sempre fui de sentir pena. Sempre me apresentei como auxiliadora e amiga para aqueles que carregavam algo negativo. Sempre acreditei em energias e tentava manter minhas companhias positivas e minha aura a mais clara o possível. Alguns, nada íntimos, me afastei, procurando não me envolver com as dores alheias. Cheguei a me afastar até daqueles que diretamente ou por ilusão da parte deles, causei dor. Mas com você foi diferente. Vi sua dor transformar-se em arte e me encantei. Seus sentimentos mais obscuros encenavam da maneira mais delicada em minha mente, tocando minha alma e emocionando minhas lágrimas. A dor se mostrava, mas junto dela eu via sua alma. Por mais que te faltasse um pedaço dela, era uma alma pura e somente inspirada pelo amor. Talvez você nem acredite mais em amores, mas vi em sua dor a sensibilidade de uma flor. E ai me vi...Eu me vi querendo não mais ser uma amiga que te aconselharia. Eu me vi querendo ser quem te guiaria para o melhor caminho. Eu me vi querendo te apontar a esperança de um nascer do Sol laranja rosado. Eu nunca quis tanto fazer parte das suas artes. E eu nunca... Nunca desejei tanto ser a pessoa que completaria o pedaço que te faltava. – Luísa Monte Real

Decepções na sua porta

Eu estava andando
Eu estava te procurando
O pôr do sol estava brilhando,
Como de costume
Ah!Como eu amo este lugar
Neste lugar eu vim te ver
Você disse que me esperaria
Você perguntou a que horas eu viria
Você perguntou que horas eu queria
Você disse que por mim tudo faria
E eu estava andando
Eu estava te procurando
Eu estava na sua porta,
Era só abrir.
Você disse que ansioso estaria
Você disse que me abraçaria
Você disse...
E de faria em faria, não fez nada.
Toquei na sua porta
Minha barriga gemeu
Meu corpo tremeu
Mas ninguém atendeu.
Meu bem, nunca te pedi que me quiseste
Nunca te pedi que precisaste do que preciso
Mas tu fingiste
Fingiste desejos para manter meu amor por ti
Sua sinceridade me bastaria
E para sua porta eu não correria.
Agora quem anda não sou mais eu,
Mas sim, o mar de suas lágrimas
Que meu amor perdeu. – Luísa Monte Real

Às vezes há vida

   A vida, às vezes, prega essas pegadinhas na gente que não se sabe se foi ela ou a gente mesmo. Às vezes acho que é tudo uma questão de escolhas. Às vezes eu acho que era pra acontecer. Às vezes eu acho que era pra dar errado para no final acabar exatamente onde tinha que ser. Às vezes acho que para certas pessoas dá errado e ela não tira nunca nenhum proveito disso. Então, deu errado por causa dela mesma ou a vida tentou lecionar? Às vezes eu acho que eu tenho que fazer por onde. Às vezes acho que vai cair do céu. Às vezes nem sei. Às vezes acho que depende. Às vezes acho que existem os dois atuando, como um casamento, eu e a vida, a vida e eu. – Luísa Monte Real

Um assunto, outro assunto

    Às vezes a gente tem essa coisa de querer mostrar que ama a pessoa, que se importa, e se sente até na obrigação de sofrer, mas hoje sei que não tem nada a ver. Acredito que se houver amor próprio poderá então, haver amores inigualáveis e inimagináveis pelos outros. Tenho pena de quem pensa que se amar significa não correr atrás, ignorar, não demonstrar que se importa e fazer pouco do outro. Isso não passa de orgulho. Sempre achei que mentir para mim mesma fosse a pior opção. Uma vez li: "não dê valor para as coisas por quanto valem e sim pelo que significam". Veja bem, é lógico que há um limite, não estamos falando de amar o outro mais do que a si mesmo. É incrível como quando alguém que eu amo me decepciona, meu sentimento por ela vai diminuindo aos poucos a cada decepção, automaticamente, sem que eu tenha que desprezá-la. Amar-se é fazer da felicidade dependente de você e somente, você. Preservar nosso coração e não deixar que a dor acabe com os nossos sorrisos, nem que o outro abale as nossas estruturas. Se entregar sem medo, pois você sabe que nunca se abandonaria. Não dizer: "ele não te merece, ele é um idiota, esqueça-o, ignore-o". Diminuir alguém nunca fez eu me sentir melhor. Quando a gente se ama, a gente não se permite fazer escolhas que não se tira proveito. A gente corre atrás do que quer, se quebrar a cara, conserta e segue em frente. - Luísa Monte Real 

Só sei que de você sei

  É muito engraçado como te conheço. Como você é previsível para mim. Muitas vezes não te entendo, mas sempre sei  suas reações. Sei exatamente como você se sente ou deixa de sentir, sei até mesmo como você pensa. Sei que você pensa que sabe fingir, mas sei até quando está fingindo. Sei que você não consegue mentir para mim. Também sei que não consegue ficar por muito tempo com raiva de mim. Às vezes acho que sei mais de você do que você mesmo. E é por isso que te gosto. Porque eu te conheço por inteiro. Entre qualidades e defeitos, você é transparente para mim. Eu sempre sei exatamente o que vai fazer, apesar de ainda conseguir me surpreender. Sei exatamente o que aguenta ou deixa de aguentar.  Eu sei exatamente que você está pensando em mim agora e o quanto sente minha falta. - Luísa Monte Real 

Sobre mudanças

    E eu que um dia pensei que em novembro eu já teria te esquecido, que tudo já teria passado, que eu seria feliz de novo... Mas e aí? O tempo passou, hoje já é novembro e nada mudou. Tudo continua da mesma cor cinza, tudo a mesma porcaria de sempre. E ainda consigo alimentar a esperança de que é só esperar porque ano que vem vai ter mudado... Será? Pergunto-me se é mesmo o tempo que controla a situação, se são as coisas que tem que mudar e não eu. Percebi que novembro é só uma contagem. Percebi que não sou nada, e sim estou alguma coisa. Percebi que sou feita de escolhas e de não escolhas. Percebi que se não agrada-me o rumo que estou levando, não é o rumo que tem que mudar, e sim, eu que tenho que mudar de rumo. – Luísa Monte Real 

Três anos em três dias

                                            

Nunca gostei de despedidas. Mas foi assim que ele me disse adeus. Numa madrugada de meus desabafos sobre seus defeitos ele resolveu que iria partir. Três longos dias de conversa tentando resolver o imprevisto que depois viraram um mês de conturbações e discussões. Estava convencido de que era um tremendo canalha e não poderia me machucar de forma alguma. Confesso que já vacilei com ele muito mais do que o oposto. E olha, que ele sempre foi o badboy e eu a "mimada" como ele dizia, só para me irritar. Tantas coisas foram ditas...Tentei convencê-lo de que essa ideia de seu medo sobre um futuro incerto era um desperdício de tudo que sentíamos e construíamos. Falei e repeti todos os meus argumentos e de nada adiantou. Uma prova de amor linda esse seu sacrifício, porém um sacrifício à toa. Pedi que ele se amasse mais, se cuidasse e pensasse mais nele... Mas ele não tirava a ideia de que queria o melhor para mim e disse que me amava, como uma irmã, repetidas vezes. Mas ele não entendia, ou não se achava bom o suficiente para aceitar que o melhor para mim no momento era ele ao meu lado como sempre foi nesses últimos três anos, e eu realmente não estava me preocupando com o futuro. Disse que eu não iria deixar de ser quem eu sou para ele. Disse que eu não estava perdendo-o e que ainda seriamos amigos. Disse para eu não me preocupar com ele, mas eu sei como ele vai se perder... Dói. Dói não ter ele. Dói ter que aceitar uma decisão que não é minha. Dói saber que ele não quer isso. Dói pensar na dor dele. Dói pensar no modo como ele vai cair nas bebidas. Dói pensar que ele já estava mal pela ex e agora deixou a melhor amiga. Uma saudade sem tamanho. Uma pena de um sentimento recíproco e tão lindo ser deixado desse jeito. Ah, porque a gente se ama demais, aquele amor que acolhe, protege e um faz tudo pelo o outro. A gente se somava, a gente era único. A gente tem é muita história, muitos obstáculos vencidos e alguns para vencer, muitas alegrias, muitas brigas e principalmente, muitas diferenças. Apaixonei-me imensamente pela conquista de ter criado algo exclusivo e mágico com ele. Ainda tenho a foto do desenho da rosa que fez para mim, e pretendia encontrá-lo para dar-me o desenho real para eu guardá-lo comigo, para sempre... Ele era meu anjo da guarda. Eu era seu porto seguro (ou terapeuta com consultas grátis, se preferir). Ele era o Wikipédia sobre mim (tão stalker que descobriu meu ultimo sobrenome e nem sei como). Eu era o seu diário. Ele era minha criança - aff tão imaturo-. Eu era sua "certinha demais". Ele era meu estressado. Eu era sua doidona. Nós éramos irmãos de pais diferentes, nós éramos duas peças de quebra-cabeça distintos que pelo destino se encaixaram. A gente se fazia feliz, muito feliz, apesar das brigas, birras, e mil e um obstáculos que fariam qualquer um desistir e cair fora... A gente era Romeu e Julieta amigos. A gente era. Talvez a gente seja. Talvez o tempo mostre que ele está certo. Talvez o tempo nos una de novo...E ele disse para eu ficar bem. E eu disse que daria Feliz Ano Novo para ele no dia seguinte. - Luísa Monte Real

Um que é tudo

Uma margem distante. Um mar gigante. Um pôr do sol apaixonante. Um Sol radiante. Uma noite brilhante. Um vento cantante. Uma chuva refrescante. Um cabelo esvoaçante. Um olhar penetrante. Um abraço confortante. Um toque arrepiante. Um sorriso significante. Uma lágrima gritante. Um grito calante. Um neurótico guerreante. Uma pessoa importante.Um alguém deslumbrante.Um crescimento interior do errante. Um momento marcante. Uma data significante. Esses são valores. Valores não tem preço, formato nem cores... Valores são sentimentos, muitas vezes, vindos de dores. Pessoas podem ser meras pessoas. Mas pessoas são quem dão luz a esses valores (nós não somos iluminados, nós iluminamos). Pessoas que são tão você que não há como lembrá-las, pois elas são como plano de fundo da alma. Um amor sem medo de amar. Um amor vibrante. Um amor de prima. Um amor de amiga. Uma raiva de inimiga. Um perdão divino.  - Luísa Monte Real 
(Legenda: Frases do rapper, cantor e compositor carioca Filipe Ret

A gente é da gente

     O especial de ser gente é dar-nos a chance de experimentar diferentes sensações e sentimentos. Algumas pessoas passam na nossa vida quase que sem perceber, é verdade. Outras até marcam sem nem saber da nossa existência. Outras marcam com gestos simples. Outras marcam com gestos grandes. Outras marcam de uma maneira positiva. Outras marcam de uma maneira negativa. Outras marcam de forma tão singular, contagiante e mágica que nós nunca nos imaginaríamos sem. A grande verdade é que coincidências e regras não existem. Não necessariamente opostos se atraem e iguais se repelem. As diferenças podem ser conhecimentos somados e as igualdades, personalidades lutando por um mesmo espaço. As diferenças podem ser discussões insuportáveis e as igualdades, brilho nos olhos por se ver no outro. É que cada um passa se encaixando como peças de quebra-cabeças. Uns  encaixam perfeitamente e outros quase nem encostam. E no final de tudo, cada pessoa é para você o que você, junto com o tempo, deixa ela ser. – Luísa Monte Real

Eu e você

Você é meu e eu sou sua. De uma maneira espontânea e natural. Quase que sem querer. Somos sem ninguém ter pedido ou insinuado ser...Sem compromissos ou cobranças. Não porque não nos importamos, mas porque não é necessário controlar algo que tão livremente corre ao ponto de perceber que somos nossos, somente depois de já termos nos tornado. - Luísa Monte Real 

Aquela amiga

Aquela amiga...Que nem as palavras “amiga”, “irmã”, “prima”
Demonstram sua significância.
Aquela amiga de distância,
Que a saudade forte alcança,
Mas que o amor só cresce em abundância.
Aquela amiga de infância,
Que guarda uma linda criança.
Aquela amiga que décadas podem passar
Que ela ainda terá a mesma importância
Aquela que é de sangue,
Mas amiga por opção.
Muito sentimento no coração.
Brigas sem razão,
E nem mesmo desculpas precisarão
Para haver uma reconciliação
E logo se entenderão.
Porque muito tempo sem se falar
Não aguentam, não
Aquela amiga que é de todo dia.
Aquela amiga que traz alegria.


- Luísa Monte Real 

Desejo à estrela cadente

Realizar um sonho. Fazer aquilo que ama. Cumprir uma meta. São coisas que trazem uma felicidade de escorrer pelos olhos. Porém, nada mais gratificante como lutar, dar o seu melhor, esgotar sua energias e no final receber aquilo que se esperou tanto ter. Vibrar, gritar, rir e chorar por ter chegado ao final da corrida e ainda vencer a partida. Ver o reconhecimento das pessoas que você mais ama e que estiveram a todo custo ao seu lado te dando forças para correr atrás e não desistir daquilo que desejava tanto. Aquela alegria que bate e fica, que causa angustia por querer que ela não acabe nunca mais. Aquela que no dia seguinte você acorda e é a primeira coisa que vem à sua cabeça já fazendo você ganhar o dia. E na memória ela permanecerá dentre muitos sonhos e conquistas que ainda estão na espera de serem realizados. - Luísa Monte Real

Escrever

Escrevo para enxergar. Escrevo para entender. Escrevo para organizar a confusão que a minha cabeça faz. Escrevo para me analisar. Analisar a situação. Analisar o outro. Tenho uma sede de escrever para entender tudo, entender o mundo. É como se as palavras deixassem tudo arrumado para eu conseguir enxergar o que é sujeira e o que é útil. Percebo os mínimos detalhes. Escrevo tudo o que eu sinto, sem regras ou hesitações. Escrevo minhas intuições, meus pensamentos e até mesmo tento expor os dos outros. Pessoas são complexas demais para se entender de verdade, mas quando escrevo... É como se eu conseguisse finalmente interpretá-las e confortar meus "porquês" de suas ações. Escrevo para me livrar e me libertar. Sinto-me leve quando escrevo a maior das confusões, e essa é a intenção. - Luísa Monte Real

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